29 março 2017

Aquela palavra com 4 letras

Ela olhava-o quando ele não estava prestando atenção em mais nada fora aquilo que estava à sua frente. Olhava-o desconfiada. Feliz e amedrontada ao mesmo tempo. Em seus pensamentos era difícil compreender o motivo de estar ali, vivendo ao seu lado de forma tão simples e contente. A cada sorriso compartilhado sua mente disparava com um alarme, nos míseros segundos que se passavam ela desconfiava se merecia tudo aquilo, se tudo era real, se ele estava sendo verdadeiro com ela. Mas porque ele fingiria um amor? Por que ele aguentaria todas as crises, manias e reclamações? A troco de quê? O que ganharia enganando-a desse jeito? E como ele estava conseguindo fingir todo esse sentimento que transparecia tão bem em seus olhos? Não era nenhum cavalheiro de hollywood, mas seu olhar parecia sincero quando a fitava enquanto riam juntos de uma piada sem graça. A vida tem dessas incertezas, ela pensou. "Sou mesmo uma boba por me preocupar com fingimentos quando o vejo tão claramente na minha frente". Era ele sim. Sincero, nu das formalidades sociais, ele puro, simples e honesto. Ela não queria admitir, mas estava sempre remetendo essa desconfiança a mágoas passadas. Inevitável. Um ego fora quebrado alguns anos atrás e esse parece ser mais difícil de remendar do que um coração partido. Mas esse sempre a conduzia para a lucidez da situação, dizia para ela parar de perder tempo com as suas neuroses e a mandava viver o amor, sem desconfianças, sem amarras ao passado. Ela escutava. Verdadeiramente. E esquecia dos sentimentos torpes já vividos antes. Agora era só aquele amor. Grandioso e singelo ao mesmo tempo. Aquele que inunda o corpo e a alma e não deixa espaço pra mais nada.

22 março 2017

Resenha - A Máquina de Fazer Espanhóis

Título: A Máquina de Fazer Espanhóis
Autor (a): Valter Hugo Mãe
Editora: Globo - selo Biblioteca Azul
Sinopse: A nova edição de a máquina fazer espanhóis apresenta novo projeto gráfico e prefácio de Caetano Veloso. No quarto romance do autor, António Jorge da Silva, barbeiro de 84 anos, é levado pela filha a viver em um asilo depois da morte de sua esposa. O que parece ser uma tragédia vai, no entanto, dando lugar à subjetividade do personagem, levando o leitor a verdades cortantes e arrebatadoras sobre o amor, a velhice, a política, o passado vivido durante o período militar imposto por Salazar e a própria literatura. É na fruição do contato com o outro, no caso de Silva, com os funcionários e pacientes do asilo, que acontece a possibilidade de redenção, tornando possível criar-se novas maneiras de viver.
A primeira coisa linda a ser citada sobre esse livro, mais especificamente nessa edição, é o prefácio do Caetano Veloso presente nela. O artista faz um crítica enfática ao golpe político ocorrido no país, no meio de tanto lirismo ao falar sobre a obra de Valter Hugo Mãe.
A narrativa conta a história de um senhor idoso que acaba de perder sua querida esposa e por conta disso sua família o leva para residir num asilo. A revolta do senhor Silva, como é chamado no livro, é grande. Não apenas pelas condições em que se encontra ao residir em um lugar desconhecido com pessoas também desconhecidas, mas principalmente pela morte de sua esposa. O vazio existencial é presente na vida dele e a narrativa se torna densa por conta de suas introspecções e pensamentos quanto à morte, à vida, ao seu passado e ao seu presente.
Eu presenciei, a partir de minha leitura pessoal, uma visão extremamente pessimista da personagem do senhor Antônio Jorge da Silva. Mas ao mesmo tempo me identifiquei muito com aquilo que ele narrava. Foi uma leitura contraditória, pois foi como encontrar o pior de mim naqueles pensamentos de um senhor de 84 anos, completamente desesperançado de viver momentos realmente felizes na condição que estava. A identificação foi um choque por eu não ter ideia do quanto meus pensamentos sobre o futuro são temerosos e tristes.
A escrita de Valter Hugo Mãe é primorosa. Novamente sua linguagem intimista e poética nos instiga na narrativa. Não é à toa todos os elogios de Caetano Veloso em seu brilhante prefácio. A edição novamente também está maravilhosa.

17 março 2017

Resenha - Esta Valsa é Minha

Título: Esta Valsa é Minha
Título original: Save Me The Waltz
Autor (a): Zelda Fitzgerald
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Escrito em um hospital psiquiátrico em apenas seis semanas, Esta valsa é minha é, ao mesmo tempo, um texto autobiográfico, um relato de época e um irrecusável convite para penetrar um universo feminino, alegre e sensível, mas também pleno de desilusões.
Num texto denso, Zelda reordena suas ideias através da personagem Alabama Knight: fala da infância à sombra de um pai austero, dos namoros e da adolescência no sul dos Estados Unidos, no período entreguerras, da vida com um artista na era do jazz, do sonho de se tornar uma bailarina profissional, das viagens à Europa, das festas e do álcool.
Imagens inusitadas e a visão de um vazio cortante pontuam a narrativa de Zelda, uma mulher fascinante que, a exemplo de eu alter ego Alabama Knight, jamais se conformou em ser apenas mulher de Francis. Enquanto ele trabalhava em Suave é a noite — que muitos críticos consideram sua obra-prima —, Zelda preparava sua própria versão da história.
Confesso que não estava muito animada para a leitura desse livro, justamente por desconhecê-lo completamente. Ao identificar o sobrenome da autora logo associei ao seu marido, Scott, porém desconheço a obra dele também e assim embarquei nessa leitura nova e desconhecida.

Essa obra foi escrita em apenas seis semanas durante a estadia de Zelda num hospital psiquiátrico. O enredo não é de grandes ações e reviravoltas, porém é de uma escrita singular e sensível. A história, considerada autobiográfica, relata a trajetória de Alabama, jovem namoradeira e de pensamentos divergentes dos da sua família, que casa com Francis, um artista que a compreende em suas "loucuras" e ideais. O romance não é o foco principal da narrativa e sim a mente de Alabama e suas relações com as pessoas ao seu redor. Ao obcecar-se pela ideia de ser uma bailarina de sucesso, não tão jovem mais, adentra-se em sua tarefa teoricamente impossível aos olhos dos demais.

Em Essa Valsa é Minha adentramos na época dos grandes bailes, dos encontros entre artistas, das conversas poéticas e profundas entre eles e principalmente na mente de Alabama. As cenas do cotidiano do casal e da família da protagonista são comuns, mas carregadas de sentido próprio. A narrativa como autobiografia ou como relato de época não decepciona. A escrita de Zelda impressiona pela técnica e pelo lirismo presente nas páginas da obra. Infelizmente, a autora parece ser um tanto apagada em relação à produção de seu marido, mas esta é uma leitura a ser recomendada a todos que apreciam uma boa narrativa do universo de uma figura feminina importante no cenário artístico e literário.

13 março 2017

Dos últimos que vi #06

Estas últimas semanas foram dedicadas aos indicados a Melhor Filme no Oscar e não poderia deixar de trazer algumas produções marcantes que assisti e recomendo muito a todos apreciarem também.

.Moonlight.

Que fique bem claro que eu estava torcendo muito por esse filme ser premiado e, felizmente, foi, mas, infelizmente de um jeito nada convencional que até tirou um pouco a atenção desse filme tão bom. O filme retrata a infância, adolescência e fase adulta de Chiron, negro, pobre e gay. Só isso já desperta a curiosidade para um filme ousado indicado pela Academia. A representatividade de minorias ou classes e pessoas discriminadas foi o foco de grande parte dos filmes indicados na mais importante categoria da premiação e que bom! O filme retrata a vida de Chiron por uma visão crua e alguns diriam até cruel. As cenas são impactantes, a fotografia belíssima e o roteiro te prende do começo ao fim. O personagem de Mahersala Ali tem poucas cenas, mas é de grande importância na trama. Não sei como resumir esse filme em toda a sua produção e importância social, só posso afirmar que é um filme importantíssimo e recomendável a todos.

.Fences.

Não sei muito o que dizer sobre Fences, fora que ele me tocou de uma forma inusitada. O filme é adaptação de uma peça teatral e traz muito desse outro gênero. É carregado de monólogos do personagem principal e gira em torno de alguém simples e trabalhador, com opiniões bem próprias baseadas em suas experiências de vida. O filme ainda expõe as relações de Troy Maxson com sua família e amigos e como Viola Davis pronunciou em seu discurso no Oscar, é um filme que fala sobre a vida de "pessoas que quiseram e nunca conquistaram seus sonhos". A atuação de Denzel é impecável e a de Viola também. É um filme tão singelo, mas muito enriquecedor.

.Lion.

Eu não estava com a mínima vontade de assistir esse filme já imaginando ser sobre uma história muito triste que não iria me agradar nem um pouco. Bem, eu estava certa sobre ser uma história triste, mas errada quanto a gostar do filme. Do começo ao fim eu chorei. Chorei muito. E no final estava soluçando de tanto chorar. Até nesse exato momento, ao lembrar das cenas, me emociono. É uma história tão delicada que não consigo evitar o sentimentalismo quanto à ela. Lion retrata a história de Saroo, desencontrado do irmão, o menino com apenas 5 anos, acaba chegando em outra cidade por meio de um trem que embarca por engano e nunca mais retorna ao seu local de origem. Saroo é adotado por uma família australiana e não se identifica mais com a cultura indiana, seu país de origem. Porém, 20 anos depois ele relembra algumas cenas de sua infância e decide procurar por sua família biológica. 
A atuação de Sunny Pawar, o Saroo quando criança, é mais do que tocante. Não acho que alguém possa manter-se sem lágrimas no rosto com as cenas desse menino no filme. Dev Patel não decepciona também e o final é mais uma vez, emocionante. Mais uma história comovente que recomendo muito.

.Animais Noturnos.

Este só foi indicado na categoria de ator coadjuvante, mas estava ansiosa pra assistir depois de ver tantas críticas boas relacionados ao filme e à Amy Adams. O filme narra a história de Susan, artista e atualmente casada, porém infeliz. Seu ex-marido, Edward, lhe envia a primeira cópia do seu mais recente livro, o qual dedicou à ela. A leitura do livro nos leva a outra história dentro da principal. Narra a viagem da família de Tony, sua esposa e filha que tragicamente deparam-se com três rapazes na estrada que o fazem encostar o carro na rodovia escura e deserta e ao final de discussões e violência, dois deles raptam a esposa e filha de Tony. A narrativa do livro é intensa, cruel e devastadora. Enquanto isso, Susan reflete sobre sua própria vida e relembra seu relacionamento com Edward. É um filme que prende do início ao fim, mas não espere encontrar cenas boas para recordar dele. A atuação de Jake Gyllenhaal é muito boa e a de Amy Adams (assim como em A Chegada), não decepciona em nada -maior injustiçada desse Oscar-. É um filme para pesquisar depois no Google alguma explicação reconfortante pra ele, pois ele confunde e embaraça a cabeça no final. Mas vale muito à pena assisti-lo.

Menção honrosa para: Hidden Figures, La La Land e Logan (esse último me surpreendeu muito!).

09 março 2017

Sobre participar de uma maratona literária

Foi a primeira vez que me propus, de verdade, a participar de uma maratona literária organizada por alguém que eu sigo. A maratona Segura o Livro foi organizada pelos canais Despindo Histórias, Sociedade A. V e Tem Que Ler, das meninas Taylane, Marina e Bells e Karol Rodrigues, respectivamente. As meninas propuseram alguns desafios que eu me organizei pra seguir e coincidentemente (ou não) foram livros que já estavam na minha meta de leitura do ano:
O primeiro desafio era um ler um autor português. Tinha escolhido O Primo Basílio de Eça de Queiros, mas de presente de aniversário ganhei A Máquina de Fazer Espanhóis do Valter Hugo Mãe e como vocês podem ver na resenha de O Filho de Mil Homens, amei demais conhecer a escrita desse autor e substitui O Primo Basílio pelo do Valter Hugo. Não consegui terminar a leitura durante a maratona, pois: que livro denso! Mas li boa parte dele no feriadão.
O segundo desafio era ler uma Hq e o terceiro era ler algum livro premiado. Como meta do ano tinha colocado Maus do Art Spiegelman para ler, sendo um Hq (ou Graphic novel, valia também) e premiado, aproveitei a oportunidade e coloquei na lista . Acabou que eu terminei de ler logo no início da maratona, pois já tinha iniciado antes e que leitura, minha gente! Muito boa.
O quarto desafio era ler algo de não-ficção. Para esse escolhi A Ordem dos Livros de Roger Chartier. É uma leitura obrigatória para a prova do mestrado em Letras que pretendo fazer, mas infelizmente fracassei lindamente ao ler apenas um capítulo desse (não tem a foto dele pois: livro raro, a gente lê em xerox mesmo).
Por fim, o último livro da maratona não fazia parte de nenhum desafio, foi mais uma leitura que eu pensei ser a mais leve delas, mas acabou não sendo. Escolhi livro de contos Felicidade Clandestina da Clarice Lispector. Pretendo publicar um post sobre algumas leituras que realizei dela como recomendação a quem ainda acha difícil ler Clarice, então aproveitei a maratona pra iniciar essa leitura também. Não terminei, mas li boa parte da obra.
Mesmo sem ter finalizado a maioria dos livros que me propus a ler durante a maratona, ela foi bem divertida por conta da interação das meninas no evento criado no Facebook. Houve alguns desafios pequenos durante os dias, para sorteios de livros e até de uma caixa da taglivros do mês! Infelizmente não ganhei nenhum, mas participar dessa interação com outros leitores foi bem gratificante. Conhecer novos canais literários também foi uma experiência muito boa. Recomendo a todos que pretendem acelerar um pouco suas leituras e de quebra conhecer novos canais, novos leitores e se permitir ter novas experiências com a interação que ocorre numa maratona como essa.
Para quem quer saber mais sobre as metas que me propus esse ano, segue as imagens dos livros para a meta geral e para a meta do projeto #leiamaismulheres, que publiquei no meu Instagram:
Uma publicação compartilhada por Jeniffer Yara (@yenwyfar) em

Uma publicação compartilhada por Jeniffer Yara (@yenwyfar) em

02 março 2017

Retrospectiva literária 2016


Eu sei que já estamos em março(!), mas lembrei que fiz ano passado uma retrospectiva literária e lembrei também das leituras de 2016, muito especiais, então vai sair post atrasado mesmo. Em 2016 eu li um total de 27 livros, menos do que em 2015 (foram 33), mas ainda achei que realizei bastantes leituras, considerando que tive praticamente 3 semestres da faculdade em um ano e uma das disciplinas já dizia respeito ao TCC (elaboração de projeto da monografia). Mas vamos ao que interessa:
O ano começou bem leve com o livro Um Estudo em Vermelho do mestre Arthur Conan Doyle. Eu sabia que viria a disciplina Literatura Contemporânea II e vários romances teriam que ser lidos, então decidi escolher algo bem rápido pra ler nos dias de folga.
Logo depois veio a releitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas, essa já para a faculdade (assim como a maioria das leituras de 2016 foram), eu amo Machado e esse foi o primeiro livro que li do autor, então pude relembrar a sensação de lê-lo e mudar minha visão sobre ele também, já que estudamos em sala a narrativa.
A outra leitura se fez um pouquinho mais arrastada, mas no final eu gostei bastante. Triste Fim de Policarpo Quaresma é uma obra que quero voltar a ler em breve e confirmar tudo que vi ali de críticas, pensamentos e ideias sobre o povo brasileiro.
Macunaíma foi o trauma da nossa turma. É um livro bastante difícil e todos estavam receosos de não saber comentar sobre ele em sala (fazia parte da avaliação a análise crítica da obra). Mas com tantos textos de apoio que li em conjunto à obra de Mário, e a leitura sendo tão rápida como foi comigo, eu gostei bastante da experiência. É um livro riquíssimo pra falar da diversidade do país, seja na cultura, na linguagem ou na história.
Vidas Secas era um livro que eu queria ler a bastante tempo. Também foi uma leitura rápida e triste, como podem imaginar. Me emocionei com algumas cenas e quero reler em breve também.
O Quinze da Rachel de Queiroz foi outra leitura que me surpreendeu. Gostei muito da protagonista e de como a autora conduziu a história. Outro retrato de uma história nordestina, mas que narra sentimentos e situações que todos vivenciamos.
A Chave do Tamanho foi outro livro da faculdade. Entrar em contato com a literatura infanto-juvenil foi muito enriquecedor, junto com os textos de apoio eu só fiquei mais interessada ainda em conhecer mais sobre esse ramo da Literatura. Monteiro Lobato é realmente genial. Foi minha primeira leitura dele.
Chove nos Campos de Cachoeira de Dalcídio Jurandir não é muito conhecido por todo o Brasil, mas deveria ser leitura obrigatória pra muitos. Essa narrativa é rica sobre as questões humanas e vale muito á pena ler. O autor ainda tem mais 9 outros livros que fazem parte do chamado Ciclo do Extremo Norte que pretendo ler.
Ensaio sobre a Cegueira também foi outra leitura para a faculdade. Junto a ele assisti o filme (claro que depois de terminar de ler) e a história ficou marcada em mim. O livro é belíssimo, triste, claro, mas belíssimo. E o filme não deixa a desejar também.
Relato de um Certo Oriente foi minha primeira leitura do Milton Hatoum e confesso que não curti tanto assim. A obra é bem memorialística e traz conflitos familiares entre o passado e presente,  mas acredito que na época não estava muito desejosa de uma leitura como essa.
Eles Eram Muitos Cavalos do Luiz Ruffato foi a última leitura da disciplina de Literatura Brasileira e foi um soco no estômago pelas cenas cruas retratadas nela. O formato do livro também é todo diferente do que costumamos ler e traz muito da literatura contemporânea atual. 
O Apanhador no Campo de Centeio, finalmente, já foi uma leitura à parte da faculdade e confesso também que não me agradou. Não gostei do protagonista e de toda a ideia de vida dele, achei bem "confissões de um rico mimado", mas quero voltar na leitura pra confirmar ou não essa minha impressão.
A Abadia de Northanger, finalizando as últimas leituras do ano, foi fruto de outra disciplina da faculdade, e foi uma linda surpresa. Jane Austen não consegue me decepcionar com suas histórias e suas protagonistas. Amei Catherine e sua fixação pelos livros de aventura que lia.
A Normalista também foi leitura dessa mesma disciplina e como obra naturalista, surpreendentemente me agradou. A obra gerou até um artigo sobre.
As últimas leituras do ano foram maravilhosas. Robinson Crusoé e Moll Flanders, com suas devidas diferenças, foram leituras que me cativaram do começo ao fim. As histórias de Defoe me surpreenderam pelo meu interesse contínuo durante a leitura, mesmo com tantos capítulos descritivos. Fora para a lista de favoritos.

Agora em 2017 eu fiz algumas listas de leituras pra tentar seguir com elas, além de manter as compras de livros bem diminutas. Nesse carnaval fiz parte de uma maratona literária organizada por alguns canais e venho falar sobre isso em breve.
Quem quiser me adicionar no Skoob ou ver meus livros lidos em 2016, segue os links:

01 março 2017

Tempos passados

Comentários, views, posts, novos temas, novas imagens, novos sorteios. A verdade é que tudo isso não me enche mais os olhos. Nem me dá prazer. Verdade que tento negar sempre, mas que tá tão explícita que não dá mais pra negar. De todos os assuntos no blogroll, dois ou três me interessam de verdade. A vontade de responder a cada comentário, visitar novos blogs, pensar em novos posts não existe mais. Ainda tenho meu próprio espaço para a minha escrita. Mas escrever exatamente sobre o quê? Para quem? Qual a relevância disso tudo? Perguntas bem difíceis de responder depois de anos mantendo um hobby que sempre amei e que agora não faz mais tanto sentido. Não é que eu queira menosprezar tudo que já vivi aqui, é só que não tenho mais tempo pra isso. Me tornei totalmente aquela velhinha dos 18, que não sabe mais ler os livros em voga, que não acha válido postar sobre o filme que assistiu. Na verdade, só dá tempo de assistir o filme mesmo; escrever sobre ele demandaria mais uns minutos ou horas e quando chega o momento, o tempo pra diversão se esgotou. Acho que é isso. O tempo é tão curto, só dá pra concretizar os afazeres e quem sabe, alguns lazeres. E o tempo não pode ser preenchido totalmente na frente de um computador. O tempo tem que ser vivido.

P.S: Esse foi um post escrito há um tempo atrás e mesmo a vontade de postar estando de volta, ainda reflete um pouco do que eu sinto sobre o blog. Diferente do escrito acima, eu tenho vontade sim de escrever nele, mas parece que os assuntos me fogem às vezes ou penso que não interessam mais aos leitores. Sigo persistindo nesse espaço, que, não canso de dizer, é só meu e espero não desistir definitivamente dele tão cedo.

P.S 2: O blog completa 600 posts publicados com esse!
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