26 janeiro 2017

Resenha - O Corcunda de Notre Dame

Título: O Corcunda de Notre Dame
Original: Notre-Dame de Paris
Autor(a): Victor Hugo
Editora: Zahar
Sinopse: Na Paris do século XV, a cigana Esmeralda dança em frente à catedral de Notre Dame. Ao redor da jovem e da igreja, dançam outros personagens inesquecíveis - como o cruel arquidiácono, Claude Frollo, o capitão Phoebus, a velha reclusa Gudule e, claro, o disforme Quasímodo, o corcunda que cuida dos sinos da catedral. Com uma trama arrebatadora, que tem a cidade de Paris como bem mais do que um mero pano de fundo, Victor Hugo criou um dos grandes clássicos do romantismo francês, de leitura irresistível.
Essa Edição Comentada e Ilustrada inclui tradução, apresentação e notas de Jorge Bastos Cruz e mais de 50 ilustrações originais.
O Corcunda de Notre Dame foi uma grata e linda surpresa que ganhei de presente de uma linda amizade e não me arrependo de ter demorado um pouco a lê-lo, pois precisava usufruir a leitura de um livro tão intenso, tão bem escrito e tão devorador.
Victo Hugo apoderou-se de muitas referências, históricas e literárias, ao escrever esse romance. Nas notas explicativas contidas na edição da editora Zahar é notável a pesquisa voluptuosa do escritor e como elas se encaixam perfeitamente na obra.
O Corcunda de Notre Dame, diferente da sua adaptação cinematográfica, retrata não apenas a história de Quasímodo e a linda cigana Esmeralda, mas também nos apresenta uma Paris do século XV recheada de pequenas histórias, de belas arquiteturas e grandes comoções que nos prenderá nas teias que o romancista descreve, para ao final, juntá-las e nos mostrar o todo que se completa de forma brilhante.
Descrevendo Paris e a Igreja de Notre Dame em suas minúcias, o autor nos transporta até o ambiente em que irão se passar as cenas do romance. A história de Claude Frollo, padre da igreja, Quasímodo, Esmeralda, capitão Phoebus e a velha Guludes se entrelaçam de tal forma que a história nos conduz a um final surpreendente e perverso aos leitores.
Quasímodo é disforme, grotesco, surdo e até mudo, apaixonado pelos sinos da Igreja e devoto a Claude Frollo, seu mestre que o acolheu ainda bebê. Claude Frollo é um eclesiástico voltado para as ciências e devoto aos seus deveres religiosos. Esmeralda é encantadora, linda e junto com sua cabra Djali, encanta as pessoas que a circundam quando realiza seu espetáculo na praça de Grève. Suas vidas irão se entrelaçar de formas diferentes, com cenas extremamente delicadas e belas e outras estranhas e grotescas.
As descrições entre as cenas principais na obra podem irritar o leitor acostumado a tramas que se desenrolam rapidamente. Os capítulos variam de curtos a longos e nos mais extensos, meu ritmo de leitura deteve-se um pouco. Porém, a vontade de retornar à leitura se manteve até o desfecho da obra.
Dor, angústia, desespero, amor, solidariedade, esperança, perversidade, desilusão, traição. São algumas das palavras que podem retratar, um pouco, o que esse romance nos traz.

21 janeiro 2017

Resenha - Incendeia-me

Título original: Ignite me
Autor(a): Tahereh Mafi
Editora: Novo Conceito
Sinopse: "Um dia eu posso romper. Um dia eu posso romper e me libertar e nada mais vai ser igual."
O destino do Ponto Ômega é desconhecido. Todas as pessoas com quem Juliette se importa podem estar mortas. Talvez a guerra tenha chegado ao fim antes mesmo de ter começado.
Juliette foi a única que restou no caminho d'O Restabelecimento. E sabe que, se ela sobreviver, O Restabelecimento não sobreviverá.

Levei praticamente 3 anos para terminar essa trilogia, mas valeu à pena a espera. Incendei-me é o terceiro e último livro da sequencia Estilhaça-me e Liberta-me de Tahereh Mafi e posso dizer que me surpreendi com o desfecho da saga de Juliette, no sentido bom da palavra.


O livro inicia com a protagonista narrando seu acordar, após o tiro que leva de Anderson, o supremo comandante do Restabelecimento, e as primeiras notícias com o término da guerra dos rebeldes contra o exército dele. Warner encontra-se ao seu lado, pronto para ajudá-la em sua recuperação, porém Juliette deseja mais do que nunca sair daquela condição enferma e ajudar seus amigos. Após saber por Warner que todos morreram, a jovem planeja sua vingança contra Anderson, causador de todo o seu sofrimento e pergunta a Warner se ele irá ajudá-la nisso. Unidos pelo ódio contra o supremo, os dois irão ao Ponto Ômega, onde Juliette e seus amigos se refugiaram anteriormente e acabam encontrando surpresas que irão mudar todos os seus planos.

Este terceiro livro, no início foca muito na relação entre Warner e Juliette e admito que não achei ruim. Mesmo com algumas desculpas bem estranhas, Warner é outra pessoa após explicar tudo o que fez com Juliette e ela, mesmo demorando a aceitar, termina por compreendê-lo.

O que causou minha surpresa quanto ao final da trilogia foi a protagonista mudar tanto ao longo da narrativa. Mesmo jovem (17 prestes a fazer 18 anos), Juliette após sofrer perdas, desilusões e conhecer melhor aquele que lhe confundia tanto, se torna alguém decidido a cumprir sua vingança. Motivada por isso, ela foca em seus poderes (seu toque é mortal e sua força é extraordinária), em não mais se esconder por conta deles, mas sim trabalhá-los para usufruir na batalha que deseja realizar contra os soldados de Anderson e contra ele mesmo.

Seus amigos, como ela irá descobrir depois, estão quase todos vivos, mas abalados pela guerra e pela derrota sofrida; mesmo assim a jovem pretende reunir todos para alcançar seu objetivo maior. Neste meio tempo, entre discussões (Warner não é visto com bons olhos pelos demais), desconfianças e incertezas, há o triângulo amoroso entre Adam, Juliette e Warner. Esse primeiro incomodando bastante por seus atos, porém, as falas de Juliette dissipam um pouco esse incômodo, pela sua determinação e autoempoderamento, as cenas melosas entre os dois são passageiras.

Por fim, a leitura fluiu tão rápido, por conta da quantidade de diálogos e capítulos curtos, que mal percebi a narrativa terminar. As cenas finais do livro foram rápidas e talvez um pouco apressadas, porém gostei do foco da autora em definir primeiro sua protagonista, como alguém forte, determinada e conhecedora dos seus próprios sentimentos para depois dar atenção à ação da batalha final.

16 janeiro 2017

Daquelas boas recomendações

Eu precisava voltar aqui e escrever sobre algumas coisas que eu ando assistindo/lendo e que estão fazendo meus dias mais leves. E entre livros, filmes e séries, duas dessas últimas, que eu considero um tanto desconhecidas pela maioria de pessoas que assistem/gostam desses universos culturais, estão entre minhas favoritas atualmente. Foram duas séries recomendadas por um amigo de um bom gosto inquestionável (elevando o ego do amiguinho), de qualidade também inquestionável e se você nunca assistiu ou quer assistir, te digo algumas coisas sobre elas que podem dar um empurrãozinho pra você colocá-las na sua lista da Netflix.

Please Like Me

Era pra ser comédia, era pra ser leve *pelo menos eu pensei que era*, mas Please Like Me é dramédia deliciosa de assistir. A série gira em torno de Josh, um jovem que acabou de se reconhecer gay depois de terminar com a namorada de adolescência. Josh mora com seu amigo Tom e sua ex-namorada-melhor-amiga, Claire. Seus pais são divorciados, sua mãe tem depressão e seu pai vive com sua namorada, Mae. O ponto forte da série é tratar assuntos difíceis e tristes (depressão, morte, preconceito, relacionamentos) com um toque de leveza e espontaneidade que não encontramos em outras tramas, seja de filmes ou séries. Nos episódios da primeira temporada já fui cativada por todos os personagens, diferentes entre si, estranhos, com seus hábitos, suas paranoias, seus traumas, suas tristezas, suas inseguranças, tudo o que lhes faz únicos. A série é baseada por fatos vividos pelo próprio escritor da série, que é o protagonista dela: Josh Tomas. Além da trama, da fotografia e da trilha sonora maravilhosa *a música de abertura fica na cabeça por um bom tempo*, os episódios ainda trazem cenas com receitas que Josh e outros personagens produzem.
Com poucos episódios e de duração curta (30 minutos), a série está disponível na Netflix e sua última temporada já foi finalizada.


Crazy ex-girlfriend

Eu estava com um pé atrás nessa recomendação por saber que a série contém musical, mas errei completamente ao julgar que não iria gostar dela por conta disso *não curto muito musicais*. Crazy ex-girlfriend fala sobre Rebecca Bunch, advogada de sucesso em Nova Iorque, que após encontrar sua antiga paixão da adolescência, Josh, feliz e satisfeito com sua vida em West Covina, muda-se de cidade para viver perto dele e consquistá-lo  percebe estar infeliz com sua vida em Manhattan e decide mudar-se para lá. Já dá pra perceber o nível de loucura que a protagonista tem apenas em ler esse pequeno resumo da série, porém as loucuras só aumentam e as músicas fazem parte do enredo principal, com letras inteligentes e super divertidas. O desenvolvimento dos personagens é incrível, a trama não estagna e as músicas não cansam, além de você se identificar, em algum momento, com o que a Rebecca vive. É uma série que vai te fazer rir muito, mas não tem nada superficial; novamente uma série que trata alguns assuntos mais difíceis com humor e toques de leveza. Crazy ex-girlfriend também foi criada pela própria atriz protagonista, Rachel Bloom, e já recebeu prêmios como Globo de Ouro e Emmy. Mesmo com baixa audiência, espero muito que a série continue sendo produzida.
Com poucos episódios de 40-42 minutos cada, a primeira temporada está disponível na Netflix e a segunda temporada está sendo exibida atualmente.

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