21 dezembro 2016

Sobre a pré-vida de adulto


Há um sentimento de medo no ar. Constante. Aterrorizante. Incômodo.
A faculdade vai terminar em alguns meses, nenhuma estabilidade financeira à vista, mas os desejos adultos e dispendiosos estão surgindo constantemente. Os planos da família não se encaixam mais aos seus. Há uma forte vontade de independência, mesmo sabendo que isso significa muita comida industrializada no jantar. Mesmo sabendo que as contas vão causar pesadelos e que o estresse da rotina sozinha, sem ninguém pra ajudar, vai ser grande.
Há um forte medo de ser infeliz no trabalho e consequentemente ser infeliz na vida fora do trabalho.
Os planos eram lindos, consistentes, bem planejados. O que aconteceu? Perspectivas de algo genuinamente bom permanecem em idealizações nos seriados de TV.
Há um forte incômodo em sair da posição privilegiada atual. Mas todos sabem que, um dia, isso iria acontecer. A idade chega, as responsabilidades aumentam, ninguém quer fazer as suas compras em seus cartões de crédito, as prioridades são outras, "você já é maior de idade", "você está prestes a se formar", "você já entregou currículo em tal escola?". Bem, a pré-vida de adulta é um saco.
Preciso de um modelo de comportamento sobre pessoas, entre 25 e  30 anos, felizes com suas profissões, seu status financeiro e pessoal. Deve ter algum manual sobre isso não?! Se em algum desses tiver o tópico "como ser um booktuber de sucesso" eu tô meio que ferrada. Já passei do tempo de ser famosa, artista ou blogueira de renome, mas sempre achei que seria bem sucedida naquilo que eu amo; bem, agora não sei o que esperar.
Eu não escrevo como uma poeta. Não falo como uma líder. Não me relaciono como uma figura influente. Não me visto como um autêntico. Não desenho como uma artista. Não leio como um leitor voraz. Não canto como um lírico. Não danço como uma bailarina. Não assisto filmes como um cinéfilo. Não estudo como um nerd.
Mas no meio dessa escrita depressiva e entediante, a música me salva e eu decido acatar à mensagem do destino:

Encontre o pequeno desejo do seu coração e
Siga-o
Oh, baby, você não está pronta, vá com calma
Não tenha pressa de evoluir

Um comentário:

  1. "Eu não escrevo como uma poeta. Não falo como uma líder. Não me relaciono como uma figura influente. Não me visto como um autêntico. Não desenho como uma artista. Não leio como um leitor voraz. Não canto como um lírico. Não danço como uma bailarina. Não assisto filmes como um cinéfilo. Não estudo como um nerd." que perfeito esse trecho!
    Sobre o texto, minha psicologa me disse uma vez que crescer dói e não tem anestesia. Acho que essas dúvidas/perguntas iremos nos fazer sempre. Talvez o segredo seja aprender a administrar bem os pensamentos, sentimentos e não se perder no caminho.

    Beijos

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