21 dezembro 2016

Sobre a pré-vida de adulto


Há um sentimento de medo no ar. Constante. Aterrorizante. Incômodo.
A faculdade vai terminar em alguns meses, nenhuma estabilidade financeira à vista, mas os desejos adultos e dispendiosos estão surgindo constantemente. Os planos da família não se encaixam mais aos seus. Há uma forte vontade de independência, mesmo sabendo que isso significa muita comida industrializada no jantar. Mesmo sabendo que as contas vão causar pesadelos e que o estresse da rotina sozinha, sem ninguém pra ajudar, vai ser grande.
Há um forte medo de ser infeliz no trabalho e consequentemente ser infeliz na vida fora do trabalho.
Os planos eram lindos, consistentes, bem planejados. O que aconteceu? Perspectivas de algo genuinamente bom permanecem em idealizações nos seriados de TV.
Há um forte incômodo em sair da posição privilegiada atual. Mas todos sabem que, um dia, isso iria acontecer. A idade chega, as responsabilidades aumentam, ninguém quer fazer as suas compras em seus cartões de crédito, as prioridades são outras, "você já é maior de idade", "você está prestes a se formar", "você já entregou currículo em tal escola?". Bem, a pré-vida de adulta é um saco.
Preciso de um modelo de comportamento sobre pessoas, entre 25 e  30 anos, felizes com suas profissões, seu status financeiro e pessoal. Deve ter algum manual sobre isso não?! Se em algum desses tiver o tópico "como ser um booktuber de sucesso" eu tô meio que ferrada. Já passei do tempo de ser famosa, artista ou blogueira de renome, mas sempre achei que seria bem sucedida naquilo que eu amo; bem, agora não sei o que esperar.
Eu não escrevo como uma poeta. Não falo como uma líder. Não me relaciono como uma figura influente. Não me visto como um autêntico. Não desenho como uma artista. Não leio como um leitor voraz. Não canto como um lírico. Não danço como uma bailarina. Não assisto filmes como um cinéfilo. Não estudo como um nerd.
Mas no meio dessa escrita depressiva e entediante, a música me salva e eu decido acatar à mensagem do destino:

Encontre o pequeno desejo do seu coração e
Siga-o
Oh, baby, você não está pronta, vá com calma
Não tenha pressa de evoluir

05 outubro 2016

Sobre faculdade, notas e o que te define


Muitas pessoas reconhecem a dedicação que eu tenho na faculdade. Minhas notas, no geral, são boas; minha presença é quase sempre certa, meus trabalhos são feitos bem antes dos prazos finais, meus estudos estão entre as minhas prioridades e meu desgaste físico e mental é constante. Chego a ser a chata que quer tudo da melhor forma possível. A que sempre lembra dos trabalhos. A que informa todo mundo sobre o que tem que fazer. A que quase sempre está engajada em algo que está acontecendo por lá, etc.
Faculdade acabou me definindo. Como estudante e como pessoa. Mas eu entrei detestando todas as condições em fazer uma faculdade pública, por toda a falta de estrutura dela, em cursar numa área desvalorizada por muitos, e minha, por seguir todos os dias para o outro lado da cidade, com abatimento físico e mental constante. Mas eu entrei nessa sabendo que era minha única chance de sair de onde estava para um lugar melhor. E encontrei um espaço lá dentro que me acolheu e que me dá prazer em fazer parte. 
Porém, eu tive meus defeitos, sabe? Eu jugava sempre aqueles que tem uma estrutura maravilhosa para os estudos, que não precisam se focar em outras coisas além de sentar na cadeira e estudar. Mas fui julgada também por outros. E nessa troca de críticas, fui descobrindo vivências e histórias que nunca iria saber se não saísse do meu casulo de estudante-dedicada-tentando-ser-perfeita-em-tudo. Faculdade não te define. Teus conceitos não te definem. É apenas uma parte da sua vida, pessoal e profissional. Eu acredito nisso e gosto de saber disso, porque se agarrar apenas no pensamento de que teu desempenho como estudante é primordial na sua vida, é ter muitas frustrações ao longo de uma graduação, de um mestrado ou doutorado. Nossa trajetória pessoal e profissional não é definida apenas por isso, nem nunca vai ser. *thanks God*
Mas para algumas pessoas ela é a única saída para sair do marco zero e é nisso que me agarro. Com todas as forças, de todas as formas possíveis. Eu tenho exemplos de que, pessoas no mesmo estado financeiro que o meu, não tiveram grandes oportunidades, e eu sei que esse destino seria o meu se não me empenhasse ao máximo nesse caminho que escolhi. Não quero nem pretendo mais julgar aqueles que não são como eu em seus "desempenhos acadêmicos". Seria muito estúpido, e mesquinho me definir e criticar os outros por isso. Tenho muitas críticas à universidade, mas ela se tornou uma grande oportunidade pra mim, que, mesmo com todos os privilégios de ter uma família, amigos e parentes maravilhosos, ainda assim, não viu/vê grandes oportunidades fora dela.

P.S: Tá quase acabando.
P.S2: Além de me encontrar no curso que escolhi, encontrei pessoas maravilhosas e mudei pensamentos, mudei personalidade, mudei conceitos pré-concebidos e tá sendo lindo perceber tudo isso em quem eu sou hoje.

17 setembro 2016

Das projeções no meio da noite


Pesadelos constantes refletem traumas do passado. Desconfiança, medo, desejos reprimidos, sonhos não realizados, dúvidas. Alguns sonhos são o reflexo de tudo o que guardo numa caixa dentro de mim. Não é fácil enfrentar tudo isso em projeções quase reais diante dos seus olhos. Não é fácil nem imaginar como seria vivenciar certas situações novamente. O coração é frágil, sempre foi, mas será que eu conseguiria superar tudo de novo da mesma forma? Não gosto de me questionar sobre isso. Dói. O coração aperta. As lágrimas ressurgem. O amargo na boca volta. Desconfiamos dos dias felizes pela possível vinda de dias tristes. É sempre assim. Mas disfarçamos a suspeita com sorrisos bobos e filmes de finais felizes.

20 julho 2016

Stranger Things


Nova produção da Netflix e todos atentos e ansiosos para a estreia, que prometia ser muito boa. Não somente boa, a nova série é simplesmente maravilhosa, em vários aspectos.

Stranger Things retrata o desaparecimento de Will, filho de Joyce Byer, na volta para casa depois de um dia jogando RPG com os amigos. Uma estranha criatura o persegue em seu caminho e repentinamente o menino desaparece, não deixando rastros para a investigação do seu sumiço. As primeiras cenas do episódio piloto já nos cativa pelos meninos, Dustin, Lucas, Will e Mike, cada um contendo características marcantes que vamos descobrindo ao longo da trama. O desaparecimento de Will abala toda a cidade em Indiana, e o aparecimento de uma menina, fugida de um grande laboratório perto da Floresta Negra irá provocar ainda mais novas mudanças na cidade.
Mistério, terror e suspense estão interligadas nessa série, aliados à uma atuação bem intensa de Winona Ryder e ótimos desenvolvimentos nas cenas com os melhores amigos de Will, típicos nerds, nada bobos e corajosos. Acredito que eles roubam a cena durante os episódios, mais do que a personagem de Winona; os meninos cativam e seguimos desvendando os mistérios junto à eles, com suas inteligências genuínas. Dustin é o banguela carismático, mas nada bobo, Lucas é corajoso e desconfiado de Onze e Mike é nosso típico líder do grupo, honesto, justo, fiel e, com aquele quedinha clichê pela menina misteriosa. Onze demonstra-se inocente logo no início, mas sua personalidade vai desdobrando-se de acordo com as cenas que a envolvem.
Outros personagens ganham destaque como o xerife Hopper, a típica adolescente do interior que se rebela, Nancy, e o esquisitão Jonathan, filho mais velho de Joyce.
A trilha sonora a todo momento nos remete às produções dos anos 80, e por vários outros aspectos inseridos na produção (não só pelo tempo passado na mesma) é tida como uma carta de amor aos anos 1980. As referências à cultura pop do passado são citadas aqui e são bastante perceptíveis, contribuindo para a nostalgia dos fãs de produções dessa época.
Além de aspectos nostálgicos e ótimas atuações, a série mantém um enrendo que prende do começo ao fim, os mistérios e as tramas envoltas num núcleo maior são bastante inteligentes e não decepcionam do começo ao fim.

Para quem gosta de um bom suspense, nostalgia e do sobrenatural, Stranger Things é a escolha certa.

18 julho 2016

[Filme] Caças-fantasmas

donas da p* toda. 
Título: Ghostbusters
Direção: Paul Feig
Elenco: Kristen Wiig, Melissa McCarthy, Leslie Jones, Kate McKinnon, Chris Hemsworth
Eu disse a mim mesma que não iria me arriscar a escrever sobre esse filme que nem o original eu assisti, mas não deu. Essa é uma produção que você sai da sala de cinema querendo recomendá-la pra todo mundo que encontrar pela frente. E mesmo sendo poser nesse remake, desejei vir aqui no blog e escrever sobre.

As cientistas Erin Gilbert(Kristen Wiig) e Abby Yates (Melissa McCarthy) atualmente não mantém mais a amizade que antes, amizade esta, que anteriormente originou um livro sobre a paixão que as duas mantinham: fantasmas. Essas duas figuras reencontram-se novamente quando um senhor, dono de uma mansão que foi assombrada recentemente, procura Erin pedindo ajuda para o problema, expondo seu livro para a mesma, que nega poder ajudá-lo. Dessa forma, Erin descobre que o livro ao qual Abby prometeu não divulgar está à venda e até um site sobre fantasmas existe com seu nome incluso, ameaçando sua carreira na universidade. Novamente as duas amigas se encontram e vão em busca do senhor que procurou ajuda anteriormente. Abby, Erin e Jillian Holtzman (parceira de Abby no laboratório) deparam-se com uma aparição de um fantasma nada amigável e assim retornam à empreitada em busca de fantasmas.

De cenas hilárias à algumas piadas sem graça, o filme ainda tem seus momentos de susto e suspense. O que chama toda nossa atenção são as mulheres, óbvio. Todas elas com suas características marcantes, e as piadas e "sacadas" em referência ao machismo ou ao feminismo, são ótimas. Confesso que só fui assistir no cinema por conta do girl power, não nego.
O filme tem seus erros, e não me detenho neles por conta do desconhecimento geral que tenho sobre técnicas cinematográficas. Mas é um farofão ótimo para assistir, com uma grande pegada feminista e algumas sacadas ótimas humorísticas que remetem à assuntos sérios. Mesmo não sendo fã dos originais, é perceptível as referências aos caças-fantasmas original.
Fui ao cinema esperando bastante da Melissa McCarthy, por já conhecer ela de Gilmore Girls e outros filmes de humor, mas quem roubou a cena definitivamente foi a Kate McKinnon. Em sua personagem, Jillian Holtzman, é a cientista que elabora todas as armas, refaz as mesmas e protagoniza a melhor cena do filme ao final dele (assistam e vocês saberão). Ainda temos a presença de Chris Hemsworth fazendo o papel de Kevin, o secretário burro, visto apenas como objeto sexual por Erin, que, vamos combinar, um papel realizado em muitos filmes por mulheres, agora numa figura masculina, é muito bom de presenciar.
Aos que forem assistir o filme dublado, encontrarão muitas referências brasileiras, por conta das piadas contidas na língua original voltarem-se muito para os estadunidenses. Daí que se você ouvir uma frase que Inês Brasil fala, não se assuste (grite como eu).
Acredito que todos souberam dos comentários depreciativos por conta desse remake 'substituir' os quatro homens por quatro mulheres, mas a crítica que está dando altas notas para a produção e a grande receptividade que o filme está recebendo nos cinemas é a melhor resposta para todos esses indivíduos.

13 julho 2016

Sobre trabalho de conclusão de curso



Escrever uma trabalho de conclusão de curso é assustador. Amedrontador. Apavorante. Mas principalmente trabalhoso. É uma tarefa árdua, intensa e cansativa. É preciso encontrar seu cantinho especial para as leituras e o exercício da escrita. O local ideal para a concentração e a inspiração fluir. Pode ser mais de um lugar, pode ser nenhum, a obrigação de escrever pode exigir de você que mesmo sem um lugar ideal, consigas fluir na escrita. E os temidos comentários sobre o TCC sempre surgem. "Como tá indo?" "Escrevendo muito?" "Já sabe o título?" "Ah, TCC é fácil, escrevi o meu tão rápido" "Não entendo toda essa preocupação com TCC, foi tão tranquilo pra mim". Todo mundo tem uma opinião sobre isso e acredite, vão fazer questão de expôr isso perto de você. O jeito é respirar fundo, expirar e respirar fundo de novo. Alguma procrastinação sempre surge. Tem horas que realmente não dá pra pensar no trabalho. É tempo demais pra ficar obcecado por esse assunto. Pior do que a obsessão pelo crush, é a ansiedade que esse trabalho nos causa. Só depende de você. Com a paixão platônica ainda existe esperanças dele tomar atitude e tudo mudar repentinamente. Com o TCC não. Se você não senta seu traseiro em frente ao computador e escreve, ele não vai se escrever sozinho. Okay, é preciso manter calma nessa hora. Sem traumas. Logo tudo isso virará um sorriso no rosto, com um orgulho no peito e lágrimas nos olhos.

04 julho 2016

Sobre dias produtivos


Em dias produtivos a gente acorda cedo. Mesmo com sono, acordo cedo e bem disposta. Vou correndo tomar meu café enquanto as ideias e a lista de afazeres está fervilhando na cabeça. Primeiro, as mais urgentes ou mais difíceis de cumprir. Depois, as medianas e por fim, as mais fáceis ou menos urgentes. Termino trabalhos, realizo leituras necessárias, talvez até adianto algumas. Ao final do dia tenho meus deveres cumpridos, ou pelo menos a maior parte e a satisfação de tê-los riscados da minha lista imaginária é tremenda. Nem sempre é assim, claro. Tem dias que é mais produtivo ficar na cama assistindo mil seriados ou fazendo maratona de um do que tentar estudar ou fazer alguma coisa mais "significativa". Sim, porque tudo é significativo à sua maneira. Assistir um besteirol hollywoodiano num sábado às vezes é bem significativo depois de uma semana intensa e cansativa. Ler qualquer coisa que não seja 'obrigatória' ao seus estudos em uma tarde também. Maratonar aquela nova série que surgiu na Netflix também pode ser tão importante quanto uma tarde de estudos. Porque nem sempre damos conta de estudar, pensar ou realizar todas as nossas obrigações, em todos os dias da semana, sem enlouquecer um pouquinho. Às vezesassistir uns vídeos engraçados no YouTube é bem mais produtivo do que bater cabeça com aquele texto da próxima aula, e se a leitura for mais produtiva em outro momento, melhor ainda. Por que não deixar pra depois *não para um futuro muito distante, claro* e fazer o seu melhor quando você estiver realmente pronta pra isso?! Eu acredito nisso. Na verdade, eu funciono dessa forma e por isso penso assim. Talvez outras pessoas realmente não acreditem nisso, mas dias produtivos sempre serão diferentes pra mim. Alguns serão sobre trabalhos e deveres feitos; outros serão sobre séries, filmes ou horas sem nada pra fazer, apenas para espairecer a mente e deixar ela mais tranquila. Talvez seja pelo corte de cabelo que deixou a cabeça ~literalmente~ mais leve, talvez seja pelo final de semana tranquilo, relaxante e produtivo, mas o espírito aqui está bem à toa. E escrito numa segunda-feira, esse é um texto bem raro de se encontrar por aí.

19 junho 2016

Pequenas neuroses diárias

É sempre difícil saber quando estou certa ou quando estou errada, ou quando apenas estou sendo afetada por sentimentos ruins e neuroses desnecessárias. Cresci com a ideia de que atos são mais significativos que palavras e sendo alguém detalhista, os pequenos atos, ou a falta deles, irão sempre me incomodar. Tentei, por um bom tempo, uma nova linha de pensamento, em que a ideia principal seria não se deixar afetar por pequenos gestos ou poucas palavras, e venho falhando desde então. No fundo, sempre irá ter aquela pedrinha no sapato machucando algum sentimento meu, seja ele orgulho ou afeto. Qual solução deveria tomar então, já que o mundo não é perfeito e praticamente tudo que há nele não irá ser do meu jeito, como eu planejo ou idealizo que seja?! Bem, eu decido deixar de lado tudo o que for preocupação exagerada (ainda sei discernir das que realmente importam) e assim vou tentando viver da melhor maneira possível, sem neuroses, sem ansiedade e com autocontrole. Ou pelo menos é isso que tento pensar em todo o momento que me decepciono com alguma besteira que alguém tenha feito/falado e que tenha me magoado.

09 junho 2016

Resenha - A Abadia de Northanger

Título: A Abadia de Northanger
Original: Nortangher Abbey
Autor (a): Jane Austen
Editora: Martin Claret
Sinopse: Escrito ainda na juventude de Jane Austen e publicado postumamente, em 1818, 'A Abadia de Northanger' é, sem dúvida, um dos romances mais elaborados da época – uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila e, por vezes, tediosa vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século XVIII. Catherine é uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz de romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe. Jane Austen faz um eloquente contraste entre realidade e imaginação, entre uma vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver.
Retornar a um romance da Jane Austen sempre é um ato prazeroso. Entre suspiros e sorrisos durante a leitura, pude apreciar, mais uma vez, a escrita tão doce, singela e única dessa autora que tanto admiro. O livro já estava empacado na estante há um bom tempo, mas graças à uma nova disciplina na graduação pude ter a chance de lê-lo e comprovar mais uma vez minha paixão pelos romances da Jane Austen.

A narrativa irá retratar a vida da heroína Catherine Morland, uma moça que nasce em uma família grande e um tanto humilde, com pessoas simples e sinceras em seus gostos, mas que não vivenciam grandes acontecimentos, coisa que uma mocinha de quinze anos apaixonada por novelas e romances de aventura gostaria de presenciar. Assim, sem grandes perspectivas sobre uma vida cheia de emoções e paixões, a srta. Morland é convidada pelos vizinhos, sr. e sra. Allen para ir até Bath, uma cidade um pouco mais movimentada que a zona rural onde a mocinha morava. Ao entrar em contato com o novo lugar, novas pessoas e novos hábitos, Catherine se apaixona cada vez mais por essa vida, mesmo continuando simples e muito ingênua, a nova rotina e os novos amigos que faz por lá, a incitam em 'romancear' os vários momentos que vivencia.

Novamente vejo uma obra carregada de sátira e ironia para com a sociedade do século XVIII que Jane retrata em seus romances. Neste, em particular, a autora aborda, por meio de uma figura ingênua, simples e leitora de ficção (elemento importante em sua personalidade), o retrato de algumas figuras completamente identificáveis até os dias atuais em nossa sociedade. Os pensamentos de Catherine descritos por um narrador sincero e perspicaz, nos aproxima da narrativa como se estivéssemos assistindo as cenas de perto, rindo junto com as tiradas feitas pelo narrador, nos instigando por meio dos questionamentos que circundam a personagem, esta ignorante de alguns fatos que se relacionam à ela. Temos aqui uma narrativa amena e simples, mas para quem ama um romance de séculos passados e leveza no enredo, irá satisfazer-se rapidamente com o caminhar da trama.

Por fim, o par romântico não chega a ter enfoque como o casal de Orgulho e Preconceito e arrisco dizer que os mesmos não tem grande presença na narrativa, tendo em sua elaboração cenas bem delicadas e simples, ficando para o final uma presença maior do amor entre os dois. Nossa heroína é a que chama mais atenção e o que lhe ocorre em sua estadia em Bath e na Abadia nos chama atrai mais do que o amor que nutre por mr. Tilney; porém não deixa de arrancar suspiros as cenas em que esse amor é citado, não decepcionando novamente uma leitora que ama ler sobre amores correspondidos (vulgo, eu mesma).

Sobre a edição, a editora está renovando há um tempinho suas publicações e me parece que está dando certo; pelo que soube de fontes confiáveis, a tradução dessa coleção da Martin Claret é a melhor presente no mercado até o momento e realmente não decepciona. Recomendo mais uma vez a leitura de Jane Austen, como grande romancista que foi e que continua sendo até os presentes dias.

06 junho 2016

Do que sinto falta


Não é à toa que eu voltei. Nunca vai ser à toa quando eu volto atrás em alguma decisão. Eu sempre pretendi ser alguém que fosse boa em algo e não me sentia dessa forma há um bom tempo. Talvez por isso eu tenha deixado de lado esse espaço por um tempo. Eu queria ser (muito) boa no que eu faço e acho até que já fui uma boa blogueira um tempo atrás. Mas os tempos mudam, as novidades chegam e os interesses se modificam. Esse espaço se tornou obsoleto para muitos e talvez por isso eu o tenha deixado de lado. Talvez por isso e por muitas outras coisas que já escrevi diversas vezes aqui. O que me torna importante na vida de alguém à ponto dessa pessoa tomar um tempo do seu dia para ler o que eu escrevo, ver o que eu posto, opinar sobre o que publico? São pensamentos que sempre me circundam ao tornar público qualquer tipo de texto em alguma rede social que eu use. Eu mesma não visito mais blogs conhecidos, nem procuro novos para o meu entretenimento. Por que alguém faria o mesmo com o meu? Por que eu deveria continuar insistindo em algo obsoleto, entregue às moscas pela própria proprietária do espaço? O que me leva a insistir estando aqui, eu, que sem tempo, preciso me dedicar a outros assuntos que não envolvem necessariamente minha escrita e minha capacidade criativa? Honestamente, não sei. Apenas sei que senti falta.

P.S: sou bem indecisa mesmo.

06 fevereiro 2016

Abstrair

Sempre fui muito quieta e tímida frente aos outros. Mas ao longo de algumas experiências tive que externar algumas coisas, principalmente o que estou sentindo. Caso contrário, enlouqueceria. Sempre tentei ser o mais honesta possível comigo mesma e com as pessoas ao meu redor, porém, de uns tempos pra cá, pude perceber que externar certos sentimentos não estavam me fazendo bem, e não estavam fazendo nada bem aos mais próximos. Meu lado pessimista aflorou ao longo dos anos, meu ceticismo aumentou proporcionalmente à minha falta de fé, em tudo e todos e eu, como alguém crente de certas coisas, me perdi em reclamações, resmungos, suspiros de exaustão e pensamentos maldosos sobre os outros. 
Ao perceber o quanto isso me prejudicava e o quanto afetava as pessoas que mais amo, tive que parar para pensar naquilo que estava pensando e externando. Nunca quis ser a pessoa negativa a qual outros precisam se afastar. Nem ser aquela que só enxerga o lado ruim de tudo. Eu nunca quis ser tão cética e mesmo assim estava sendo. Que bom que ainda tive tempo de rever tudo isso. Gratidão sempre foi algo que não quis deixar de lado e estava deixando. Gratidão por tudo e qualquer coisa que me faça bem e até as que fizeram mal, por que não?! Gratidão não por ter a vida que sempre quis e sim pelo que tenho e pelas pessoas que fazem da vida algo valioso. E nesse exercício de gratidão, abstrair tudo o que me irrita, todas as pequenas dificuldades do dia a dia é sempre um exercício trabalhoso, mas totalmente necessário.

29 janeiro 2016

Sobre novas leituras

Daí que sua estante precisa ser renovada completamente. Best-sellers e outros gêneros literários precisam dar espaço aos clássicos, aos renomados ou pelo menos estudados academicamente. E sim, o gosto literário se modificou, aos poucos, mas mudou. Não exatamente por imposição de alguém, mas pelas leituras realizadas ao longo de um curso que te instiga a ler mais e mais, entretanto, não são leituras qualquer. E, sem grandes ideias para novos posts, decidi mostrar algumas dessas novas leituras que irei realizar a partir de então. Mas não me entendam mal, o espaço para best-sellers, chick-lits, romance policial e outros 'gêneros' ainda estará na estante, porém bem menor do que antes.


 Primeiro livro que ganhei de presente no final de 2015 e: muito amor por essa edição.

Vários outros livros que também ganhei, de certa forma. Em sua maioria do Machado de Assis, pois: irei ter aulas sobre ele e amo o autor.

Esse livro foi outro presente, porém antigo. Só pude ler no final de 2015 e: que leitura, amigos!

20 janeiro 2016

Promoção: Aniversário Obsession Valley


No dia 15 de Fevereiro de 2011, estávamos colocando o primeiro post do Obsession no ar. De lá para cá, ele mudou muito, creio que para melhor se moldando de acordo com seu tempo e conteúdo. E, em partes, o Obsession nada seria se não fosse os leitores, que o acompanham nesses cinco anos. Nossa, migo cê já está quase um idoso!

Para comemorar a data, o blog está organizando sua primeira promoção, com outros blogs amigos que de alguma forma fazem parte dessa jornada. São 12 blogs que cederam lindos prêmios para presentear os leitores do Obsession Valley.

REGRAS:
- O participante deverá residir ou ter endereço de entrega no Brasil;
- Período de inscrição: 18 de janeiro de 2016 até 15 de fevereiro de 2016;
- Resultado será liberado em até sete dias, depois de conferir se os ganhadores cumpriram as regras;
- Os ganhadores terão o prazo de 48 horas para responder o blog, após o contato. [via e-mail] Caso não haja retorno, um novo sorteio, para o colocado, será feito;
- Serão CINCO ganhadores: O primeiro colocado poderá escolher um kit entre os cinco. O segundo entre os quatro restantes e assim sucessivamente. O quinto ganhador, claro, ficará com o que sobrou;
- Cada blog tem o prazo de 60 dias úteis para enviar os prêmios cedidos, após o recebimento dos dados dos ganhadores;
- Os livros chegarão separados, pois, o envio será de responsabilidade dos blogs que os cederam;
- Os blogs participantes não se responsabilizam por problemas usuais dos Correios, como extravios, danos ou atraso na entrega ou por erros do ganhador, como endereço errado. Os livros serão enviados apenas uma vez;
- O blog Obsession Valley pede aos ganhadores que enviem uma foto dos prêmios, para ser compartilhada nas redes.

* Onde está escrito 'Visit on Facebook:' O participante deverá curtir a página solicitada.

BLOGS PARTICIPANTES:
Conjunto da Obra - Sedução no Convento
Minha Vida Literária: A Escolha do Coração
Meu Outro Lado: Um Caso Perdido
Winter Bird: As Gêmeas
Leituras & Fofuras: Doce Perdão
Macchiato: Bela Maldade
Prefácio: O Duque e Eu
Quase de Manhã: Amor ao Pé da Letra e Blackbird
Cantar em Verso: O Álbum
Obsession Valley: Destrua Este Diário e O Teorema Katherine.


Kit 1: + *O blog Meu Outro Lado também enviará marcadores.
+ E-book de Garotas em Ação e o Sobrenatural e Não Tão de Fadas.

Kit 2: + E-book de Garotas em Ação e o Sobrenatural e Não Tão de Fadas.

Kit 3: *O blog Macchiato também enviará marcadores.
+ E-book de Garotas em Ação e o Sobrenatural e Não Tão de Fadas.

Kit 4: + E-book de Garotas em Ação e o Sobrenatural e Não Tão de Fadas.

Kit 5: + Marcadores cedidos por Nana, Leticia, Layla e Victoria.
+ Os marcadores da Layla são artesanais.
+ E-book de Garotas em Ação e o Sobrenatural e Não Tão de Fadas.

* O blog Quase de Manhã cedeu dois livros para a promoção.


15 janeiro 2016

Das séries boas para acompanhar


Claro que a viciada nas séries está enlouquecendo aqui com algumas delas voltando às suas respectivas temporadas em 2016 e eu não poderia deixar de listar algumas que me deixam ansiosíssima para seu retorno. Todas elas estavam ou em hiatus no meio da temporada ou estão de volta com novas temporadas, o que as tornam iguais é que todas me deixaram com saudades. 

New Girl (05/01)

Primeiro episódio da quinta temporada já me fez rir alto do humor bobo que a série traz com Jess e seus amigos. A temporada promete coisas novas e até rumores de que Megan Fox iria ficar um tempo no lugar da Zoey rolou, não sei se é verídico *espero que não*, mas aguardo novos episódios sem grandes decepções.

The 100 (21/01)

Em sua terceira temporada, a série promete surpreender e isso podemos confirmar apenas com o trailer! Tô bem ansiosa para saber o rumo que essa história vai tomar, já que as duas primeiras surpreenderam bastante à todos. Quem nunca assistiu, recomendo para quem gosta de uma boa distopia, nada romanceada.

Grimm (29/01)

Quinta temporada e rumores de que a série pode ser cancelada já rondam os fãs. Infelizmente. Grimm é uma série policial bem diferente e me cativou desde o início (com os efeitos visuais toscos e tudo), e a volta de uma personagem importantíssima da série faz meu interesse aumentar mais ainda com essa temporada. Além de já estar com saudades do Monroe e da Rosalie, que são dois lindos e fofos nessa série cheia de sangue e lutas. 

How to Get Away With Murder (11/02)

Em plena metade da segunda temporada a série entrou em hiatus, deixando todos, claro, ansiosíssimos para o que irá acontecer com Annalise e seus ~cúmplices~. É uma série que te deixa de boca aberta a cada novo episódio e se você não se impressiona fácil em toda a temporada, você pode se impressionar com alguma coisa ali, algum mistério ou reviravolta.


Girls (21/02)

Bem perto do meu aniversário (dia 23) volta essa série linda com nova temporada (a penúltima). Estava com saudades dos diálogos e loucuras de Hannah e todas as situações constrangedoras que as amigas dela se envolvem, me fazendo identificar com cada uma delas à minha maneira. É uma série bem realista e amo isso.
***
E vocês? Acompanham alguma série que está voltando esse ano e que não veem a hora de voltar à acompanhar episódio por episódio com aquela sensação de 'quero mais'?

11 janeiro 2016

(des)aprendendo


Desaprendi a ficar parada, sem fazer nada, planejando meus desejos. Prefiro levantar da cama e agir de alguma forma. Nem que seja em atos pequenos e aparentemente insignificantes.
Desaprendi a ser tímida e me calar para tudo. Isso só se torna um problema quando a sinceridade atinge outras pessoas de um jeito nada bondoso.
Desaprendi a me frustrar com os detalhes bobos que sempre me fizeram guardar sentimentos ruins. Algumas vezes são simples e não há mais nada para ver além delas.
Desaprendi a dormir muito. 
A comer pouco. 
A sonhar mais. 
A comprar pouco. 
Desaprendi a escrever no blog. 
A prestar atenção no que tá em voga.
A sentir falta daqueles que nunca valeram à pena.
A sentir medo e paralisar frente ao futuro.
Só não desaprendi a amar aqueles que me importam e a todas as coisas pequenas e singelas que me tiram um sorriso em dias conturbados.

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