06 setembro 2015

Resenha - Talvez Nunca Mais um País


Título: Talvez Nunca Mais um País
Autor(a): Flavio P. Oliveira
Editora: Delirium
Sinopse: Talvez Nunca Mais um País - Talvez nunca mais um país, partidos políticos, eleições etc. Dois vírus criaram uma nova idade histórica, o primeiro consumiu as reservas de petróleo, o segundo deixou à beira da extinção a humanidade — gigantescas ratazanas devoram os corpos largados nas ruas. No setor 7, na famosíssima Copacabana, Miguel — ex-ráquer, atualmente colecionador e catalogador de objetos artísticos, um apaixonado por rock ‘n’ roll — envelhece (aceitando a sorte de ser um doador universal) sem ter muito o que fazer, além de caminhar na praia em companhia das porcas da senhora Borrêia e conversar com os pivetes na carcaça. Tudo isso mudará um dia, por culpa da inveja alheia, por culpa de uma nova vontade de ser melhor, algo não permitido pelo autoritário governo.


A narrativa é ambientada num Rio de Janeiro na 'Idade da Reconstrução'. Após a doença de Hoosbardo contaminar a maioria da população, as cidades foram segmentadas em o que parecem ser as capitanias do passado. Guanabara é uma delas e é onde vive nosso protagonista, também narrador da história. Entre as lembranças descritas do seu passado com seus avós, seus amigos e Mariana, sua amada que foi embora, sabemos um pouco mais sobre a situação em que o país se encontra atualmente. Robôs, detritos, cidades destruídas, totalitarismo no poder, prédios abandonados, crianças vivendo sozinhas, energia mínima, água muito escassa assim como alimentos, essas são algumas características que montam o cenário atual do Brasil e do mundo. 

Logo nas primeiras páginas da obra percebo algumas referências contidas na escrita do autor, o que me causa mais interesse ainda em ler as páginas seguintes. A narrativa não tem um fluxo de pensamento linear, pelo contrário, os fatos não são apresentados de forma à ser simples e claro. Aos poucos lemos tanto as memórias do protagonista quanto as condições em que se encontra atualmente o seu país. Talvez por essa narrativa o protagonista tenha cativado tanto, a descrição de suas lembranças, suas teorias (mirabolantes, muitas vezes e bem particulares), suas memórias e expressões deram um tom de realismo ao personagem e muitas vezes à narração.

A obra cativa não só pelo personagem central, mas também com os secundários. Os amigos do protagonista com apelidos estranhos como Manteiga e Medo, as descrições de Mariana e a volta da mesma na vida de Miguel me fez ter prazer ao ler a história em primeira pessoa. Além de Miguel ser colecionador de artefatos antigos e ser fã de rock'n'roll, as passagens com descrições de momentos com seus avós, que o criaram e morreram antes da doença se alastrar, fizeram com que eu me identificasse um pouco com a leitura. Acredito que essa obra tem muitas 'pitadas' da vida real do autor, mas pode ser apenas impressão minha. Tendo ou não inspirações biográficas, Talvez Nunca Mais Um País é uma distopia diferente e cativante. O romance não é totalmente focado, mas as declarações de afeto e amor de Miguel por Mariana também são muito boas de serem lidas.

Por fim, a edição está muito bem feita e não encontramos erros ortográficos ou de impressão na mesma. Um trabalho nacional muito bom, não só na escrita mas também na edição, o que me agradou muito. Recomendo muito à todos os fãs de distopias nostálgicas, com uma escrita singular e uma narrativa madura sobre os desastres de um país devastado.

8 comentários:

  1. Adoreiiii a resenha!! Obviamente não direi se há algum elemento pessoal passado para o narrado, rs. Que bom que gostaste do livro!! :D

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  2. Deve ser uma experiencia muito bacaa ler um livro com um tema tão inusitado ambientado no Brasil. De cara a história me interessou, eu sou apaixonada por temas pós-apocalípticos.
    Achei interessante você resenhar a edição do livro. É um ponto importante que muitos críticos deixam de fora. Como é o caso da edição de som, no cinema.

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  3. Oie Jeniffer =)

    Não conhecia o livro, mas achei a premissa bem interessante principalmente levando em conta o cenário policio atual de nosso país.

    Espero ter a oportunidade de ler ele =D

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias...
    @mydearlibrary

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  4. Que interessante! Eu nunca tinha ouvido falar nem do autor, nem do livro, nem da editora! Mas fiquei bem impressionada por ter o Rio como cenário num futuro meio catastrófico, pelo que entendi! Acabei lembrando de Estação Onze, livro que to lendo no momento.

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  5. Oi Jeniffer! Ahh a narrativa única e os nomes peculiares do Flávio ^^ Eu tenho dois livros dele aqui e de vez em quando eu os folheio pra dar uma sacudida e sair um pouco dos meus romances de sempre haha Já faz tempo que eu penso em separar uma grana e entrar em contato com ele pra mais um livro, talvez seja esse :) Adorei a resenha, beijos!!
    http://www.trocandodisco.com.br/

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    1. A Fêshi sumida apareceu!!! Quanto tempo, rs.

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  6. nossa, cara, me interessei demais O_O eu adoro distopias (pela resenha esse livro me pareceu uma distopia) e eu me empolguei ao ver que é ambientado no RJ, com lugares que já visitei. muito criativo :D vou colocar na lista de desejados do skoob!

    www.pe-dri-nha.blogspot.com

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  7. Oi Jen,
    Gente um Rio de Janeiro distópico? Achei demais.
    Fiquei imaginando como autor 'reconstruiu' tudo...
    Ri aqui com o nome dos amigos.

    Ótima resenha!

    bjs e tenha um ótimo final de semana.
    Nana - Obsession Valley

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