01 junho 2015

Apocalipse em mim


Quero escrever sobre o que me incomoda. Sobre o que me tira a paz. Mas o cansaço é tanto que todas as palavras ditas ou escritas parecem não ser mais relevantes. A relevância do escrever sobre o que me faz bem ou sobre o que me faz mal já parece não existir na rotina exaustiva. Os dias vão se acumulando, junto com as dívidas, com as responsabilidades, com os deveres e os quereres que surgem ao longo das horas. A cada momento é uma nova preocupação e se não pararmos para respirar e olharmos à nossa volta com toda a fé em dias, pessoas e momentos bons, é possível enlouquecermos em meio a todo esse caos existente. As notícias nos jornais nos fazem mais tristes, mais desconfiados, menos pacientes, mais inconformados e ao mesmo tempo mais conformados com a injustiça que nos cerca. Tudo o que vejo, as palavras que leio, as imagens e ideias que me parecem erradas, cansam. Desajustada em minhas próprias opiniões, me vejo gritando em meio a uma multidão veloz, numa cidade conturbada, barulhenta, violenta, que não tem tempo para ouvir cada voz exigindo um mínimo de atenção. Os desejos parecem fúteis. Os sonhos, premonições do que está por vir. Os sentimentos, confusão de um caos interno sem previsão de calmaria. Um calmante não seria a solução. Uma religião? Talvez. Os pensamentos apocalípticos transtornam qualquer um.

Um comentário:

  1. Oi, Jenny.

    Amei sua prosa poética. Acho que só os anormais não se sentem desse jeito. Parece realmente que vivemos no período da urgência e da banalização do sentimento humano. Não importa tanto o ser, mas o lucro que ele traz. Triste.

    Beijos,

    Isie Fernandes - de Dai para Isie

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