27 janeiro 2015

Resenha - Persépolis


Nome: Persépolis
Autor(a): Marjane Satrapi
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obrigada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família moderna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita - apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa.
Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exemplares.
Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama - e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.

Confesso que não iria escrever tal resenha por ser de um livro em quadrinhos, porém, esse livro é tão impactante que me fez desejar escrever sobre ele no blog. Não irá ser uma resenha típica, pois como já expliquei, se trata de um livro em quadrinhos.
Persépolis me encantou desde a primeira vez que vi a capa do livro. Sim. Já tinha ouvido falar sobre ele e sobre o filme diversas vezes e quando vi a compilação dos quadrinhos em um só livro, elaborado pela Companhia das Letras, eu enlouqueci o querendo. Até que, finalmente, uma amiga me presentou com ele. Já tinha assistido ao filme de mesmo nome e me encantei ainda mais. O livro é todo o filme, basicamente, mas é ainda melhor, por termos a oportunidade de ler e parar pra pensar naquilo que está sendo lido, algo que acontece na leitura de Persépolis em vários momentos. A história é Marjane Satrapi, filha de uma família politizada e moderna, morando no Irã, ela viu o que seria a repressão de várias formas possíveis em seu país, com seus familiares, amigos e vizinhos. E principalmente, ela presenciou a guerra.

Ao crescer, Marjane torna-se uma mulher tão politizada e moderna quanto sua mãe. Porém, há consequências ser livre dos pensamentos repressores de seu país. Marjane passa por vários momentos intensos em sua vida. As principais cenas e mais marcantes são as de Marjane sozinha, na Europa, onde foi morar aos 14 anos, longe de seus pais, para tentar se ver livre da guerra. A moça se vê sozinha, em conflito consigo mesma e com suas convicções. São trechos do livro marcantes na questão das descobertas pela jovem e da perdição em que ela se encontra após alguns acontecimentos.
Sendo uma história autobiográfica, o livro torna-se algo muito real, em todos os seus aspectos. A parte histórica, a história da família e amigos de Marjane e claro, a própria protagonista, nos contando seus relatos através de uma narrativa simples, fluída, triste muitas vezes, mas muito esclarecedora no final. 

O desenho é simples, nada muito elaborado, porém é a história que nos choca, nos toca, nos faz rir até algumas vezes e nos encanta. A diagramação está perfeita e não há erros ortográficos na edição. É uma leitura intensa e carregada de realidade que nos faz refletir muito sobre a condição de Marjane, de seu povo e também sobre nós mesmos. Vale muito à pena ter esse livro em mãos e apreciá-lo. 

21 janeiro 2015

Sobre desejos mal desejados


Estava pensando em tudo que queria ser aos 20 anos. Queria ser aquela que fez mochilão na Europa e hoje volta com muitas fotos e histórias pra contar. Queria ser a garota rica que tem um quarto lindo e muito bem decorado que pode tirar fotos lindas junto á ele e postar em seu blog. Queria ser aquela que ganhou algum tipo de prêmio por algo que fez. Queria ser aquela que tem uma coleção perfeita de vinis. Ou aquela que viajou pelo país com seu namorado nas ultimas férias. Mas não sou nada disso. Pelo contrário, tive uma vida bem normal e por algum tempo, fiquei sem ter nenhuma importância no cenário social ao meu redor. Eu não era estudante, tanto do colegial nem universitária, não trabalhava, não cuidava de ninguém da família. Eu só lia livros que achava interessantes e postava em meu blog. Eu sentia falta de um grande propósito na minha vida, que no caso, era cursar a universidade. Sentia falta de um amor que me fizesse sentir borboletas no estômago e de certa forma, sentia falta de família e amigos, mesmo tendo alguns por perto. Eu me sentia vazia, de todas as formas possíveis. Aos 20 tudo isso mudou. Os livros que eu li não são mais interessantes. Os posts geniais para o blog não me vem mais à cabeça. Os textos nas redes sociais não me interessam mais. Faço parte do cenário social. Entrei para a universidade, tenho amigos e família por perto, assim como aquele amor das borboletas no estômago e ainda consigo me sentir insatisfeita. Ainda consigo pensar em não querer mais cursar tal curso, em querer novos caminhos, em desejar novos lugares. Provavelmente eu devo ser completamente egocêntrica e ingrata com a vida. O desejo de mudança nem sempre é tão válido como pensava antes. Sim, eu quero mudanças, quero um novo curso, quero novos lugares pra visitar. Mas sim; eu estou cursando algo interessante, exatamente aquilo que eu desejei naquele tempo que me sentia incompleta, tenho exatamente aquilo que desejava há algum tempo e pareço não saber apreciar muito bem tudo isso. Não vou poder ter tudo o que quero ao mesmo tempo. É algo insano para se pensar. Então paro, penso, respiro fundo e mantenho o foco no que há de bom nos dias atuais. Não há nada que me confirme sobre eu não ser aquela que irá fazer mochilão na Europa e voltará com muitas histórias boas pra contar. Quem sabe?! E se esse desejo mudar ao longo do tempo, ninguém poderá me dizer que o próximo sonho será impossível de se realizar. Aos poucos conquistamos o que queremos e principalmente, o que precisamos. É certo que para alguns parece acontecer mais rapidamente que para outros, mas quem se importa?! É melhor parar de cobiçar o jardim alheio e cuidar melhor do seu. Talvez as conquistas atuais não sejam suficientes e definitivamente, não são. Talvez novos desejos sejam traçados num futuro próximo e essa insatisfação nunca se esgote. Mas não dá pra deixar de lado o que já tenho. São coisas minhas, coisas e pessoas que amo, que nunca irei querer menosprezar. 
Então talvez eu esteja desejando muito, demais, exageradamente, dramaticamente; como sempre acontece. Ou talvez não.

15 janeiro 2015

3 séries que você deveria assistir

Não vou obrigar ninguém a assistir as séries que irei recomendar, longe disso. Só não encontrei outra palavra pra colocar no título.rs Conheci essas séries ano passado, mas algumas só pude atualizar esse ano por conta das férias da universidade. Talvez a maioria de vocês já as conheça, porém, queria trazer novamente a tag 'Séries' para o blog, então espero que gostem das recomendações e se tiverem séries para recomendar, por favor, comentem aqui que irei atrás delas. Amo séries novas na lista de séries que assisto, mesmo não tendo muito tempo para assistir todas (fazer o quê?!).

My Mad Fat Diary
Renovada para a 3ª temporada. Encontra-se em hiatus.
Sinopse: Situada na década de 1990, a história de My Mad Fat Diary acompanha a vida de Rae, uma jovem obesa de 16 anos que vive em Lincolnshire com sua mãe excêntrica. Recém saída de um hospital psiquiátrico, ela se vê jogada em um mundo no qual não se sente à vontade.
Logo ela reencontra Chloe, sua antiga melhor amiga que não sabe do seu passado. Ela a apresenta para sua turma, que acolhe Rae à sua maneira. Sem perder o bom humor e sua crença no amor, Rae tem como principal objetivo perder a virgindade. Seu alvo é o jovem geek Archie, mas algumas surpresas vêm pela frente.

Conheci My Mad Fat Diary através de um link do Youtube e acredito que depois de ler algo sobre a série, me interessei em assisti-la. Nunca imaginei que poderia me identificar tanto com Rae e conseguiria me emocionar tanto com uma série de comédia. Na verdade, a série não é só comédia, mas também tem seu lado dramático, pois trata-se de depressão aliada a grandes descobertas na fase adolescente de Rae, além de outros assuntos sérios abordados durante os episódios. Rae te dá vergonha alheia em alguns momentos, mas você torce pra que tudo dê certo pra moça tão especial e cheia de dúvidas e anseios, como todos nós somos. O casal que torcemos com certeza é Rae e sua paixonite platônica, mas também vemos romance em outros personagens e abordado de outras formas. A relação de Rae com seu psicólogo também é outro ponto diferente e especial na série. Além da série ser ambientada nos anos 90 e ter uma trilha sonora perfeita! Recomendo muito.

Girls
Renovada para a 5ª temporada. Encontra-se atualmente na 4ª temporada.
Sinopse: Girls conta a história de quatro garotas com cerca de 20 anos, vivendo em Nova York. Hannah é aspirante a escritora e faz estágio em uma editora em Manhattan, Marnie é recepcionista em uma galeria de arte, Jessa, inglesa, estuda filosofia e faz bicos como babysitter, e Shoshanna ainda é estudante. Algumas são bem-nascidas, enquanto outras trabalham para conseguir se manter.


Girls eu conheci através de meu amigo super fã da série e claro, através do livro de Lena. Comecei a assistir a série depois de ter lido a obra de Lena e definitivamente, vi muita coisa da vida real dela exposta na série, principalmente na primeira temporada. Mas a criatividade de Lena ultrapassa seus temas reais e traz uma série sobre o cotidiano de garota jovens, lindas e um tanto problemáticas. É uma série sobre Hannah e suas amigas Marnie, Jessa e Shoshanna (nome super engraçado) e seus problemas pessoais, com foco nos relacionamentos amorosos. Além de ser super engraçada em algumas partes, a série também tem seu lado dramático e bem pessoal. Traz cenas um tanto 'pesadas' para alguns, pois o sexo é explícito e a linguagem também. Recomendo muito à quem gosta de tramas simples, mas carregadas de realidade, diálogos e situações interessantes.

Salem
 Renovada para a 2ª temporada. Encontra-se em hiatus.
Sinopse: Salem se passa em Massachusetts no século XVII e acompanha a história de Mary Sibley (Janet Montgomery,de Made in Jersey), uma bela jovem casada com um rico membro do conselho da cidade, e que deixou uma antiga paixão para trás quando John Alden (Shane West, de Nikita) partiu para a guerra.
John retorna agora, sete anos depois, para Salem, e encontra uma cidade mergulhada em uma louca caça as bruxas, com mulheres queimadas e enforcadas ao primeiro sinal de possessão demoníaca.

Salem me interessou desde o começo por tratar de bruxas (ser sobrenatural muito interessante) e por prometer algo mais de horror relacionado ao tema. Ambientada no século XVII, a Inquisição é presente na pequena cidade de Salem e traz bruxas muito poderosas que comandam o local. Porém, não se trata apenas de bruxas com poderes, também temos um conselho delas e com homens bruxos. A série inteira tem uma fotografia obscura e várias cenas são aterrorizantes para quem não está acostumado em ver mortos, muito sangue e rituais satânicos, e até para os que estão acostumados, acredito que tais cenas são bastante carregadas de horror visual. Salem traz um sobrenatural carregado de suspense e horror, com elementos gore em algumas cenas. É uma série bem intensa e tensa ao mesmo tempo, também traz cenas de sexo explícito e outras cenas mais. Gostei muito do começo da série e ainda preciso continuar a assistir, porém, é preciso 'ter estômago' pra fazer uma maratona de Salem. Recomendo muito também.

06 janeiro 2015

Resenha - Não Sou Uma Dessas


Nome: Não Sou Uma Dessas
Original: Not That Kind of Girl
Autor(a): Lena Dunham
Editora: Intrínseca
Sinopse: Lena Dunham , a premiada criadora, produtora e estrela da série Girls, da HBO, apresenta uma coleção de relatos pessoais hilários, sábios e dolorosamente sinceros que a revelam como um dos jovens talentos mais originais da atualidade. Em Não sou uma dessas, Lena conta a história de sua vida e faz um balanço das escolhas e experiências que a conduziram à vida adulta
Comparada a Salinger e a Woody Allen pelo New York Times como a voz de sua geração, Lena é conhecida pela polêmica que desperta e por sua forma única e excêntrica de se expressar e encarar a vida. Engajada, a autora revela suas opiniões sobre sexo, amor, solidão, carreira, dietas malucas e a luta para se impor num ambiente dominado por homens com o dobro da sua idade
Já estou prevendo a vergonha que sentirei por ter pensado que tinha algo a oferecer, escreve Dunham. Mas se eu puder pegar o que aprendi e tornar alguma labuta mais fácil para você ou evitar que você tenha o tipo de sexo em que sinta que deve continuar de tênis para o caso de querer sair correndo durante o ato, então cada passo em falso que dei valeu a pena.
Ela tem a habilidade extremamente rara de ser 100% ela mesma em 100% do tempo. The New York Times.
A escrita de Dunham é tão inteligente, honesta, sofisticada, perigosa e encantadora como a sua série Girls. O maior mérito do livro é um tipo de superconsciência divertida: de si mesma, do mundo, do ser humano. Ler Não sou uma dessas faz você se sentir feliz por estar no mundo e por Lena estar nele com você. George Saunders , escritor.

Lena Dunham era uma completa desconhecida para mim, até meu amigo Adauto  falar sobre ela todo santo dia, me recomendando a série Girls (de produção e atuação da Lena) e comprar o livro que ela lançou ano passado. Confesso que quando vi o livro (de edição americana), nas mãos do meu amigo, fiquei muito curiosa na leitura pela diagramação e o breves comentários que ele falava sobre as histórias de Lena. Mesmo eu estando super curiosa em conhecer mais sobre ela e seu livro, não pude comprá-lo quando lançaram a edição brasileira pela Intrínseca, mas por acaso, o mesmo amigo me tirou no amigo oculto da turma de Letras e me presenteou com essa obra singular.

Lena não escreve sobre suas histórias mais engraçadas ou inesquecíveis da sua vida, mas escreve suas histórias íntimas, carregadas de humor e opiniões bem fortes sobre cada momento da sua vida. Ela traz uma escrita simples e leve em suas narrativas que faz ter a impressão de estarmos numa conversa com uma nova amiga confessando todas suas histórias antigas, marcantes ou não, seus medos, seus anseios, seus antigos e novos desejos, suas opiniões e declarações estranhas sobre a vida e outras pessoas.

Não é um livro de auto-ajuda, definitivamente, mas não dá pra deixar de se identificar com alguns pensamentos e situações que a Lena nos narra em seus ensaios. A infância, os segredos compartilhados apenas com amigos, as burradas da juventude, os amores não correspondidos, o medo da morte, a maturidade vindo depois de tantos erros e coisas ruins terem acontecido, são vários temas pessoais e reais que o livro traz e Lena consegue transmitir, através da sua vida, pensamentos muito válidos pra qualquer ser humano que não é perfeito nem teve uma vida perfeita, se identificar e aprender junto.
A diagramação é um 'grande' detalhe que faz o livro ser mais prazeroso ainda na leitura. As ilustrações condizentes, a linguagem natural utilizada (palavrões e outras palavras que utilizamos no dia a dia) deixa o livro com um ar de diário, mas nada superficial ou infantil. Pelo contrário. Lena não fala apenas dos relacionamentos que não deram certo, ela também narra sobre estupro, terapia, morte, doença e sexo. E ao final, é muito prazeroso perceber o quanto Lena mudou e como ela resolveu transmitir sua história através de um livro tão real. 

Recomendo muito à todos que conhecem a atriz, roteirista e diretora de Girls e também para aqueles que não a conhecem. A editora fez um ótimo trabalho tanto na diagramação quanto na tradução do livro (meu amigo me confirmou isso). 

03 janeiro 2015

A arte de Tamypu

Arte e moda são indissociáveis e a Vietnamita Tamypu (Thay My Phuong) sabe muito bem disso! Não posso escrever muito sobre a artista, com medo de passar alguma informação errada, (O idioma me derrubou, enfim...) a não ser que seu trabalho está intimamente relacionado ao seu próprio cotidiano, a feminilidade meiga e frágil dos traços finos, a planilha de cores variadas que encantam num universo suave e sutil, e claro, seu talento excepcional!


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