25 novembro 2013

Resenha - Extraordinário

Nome: Extraordinário
Original: Wonder
Autor(a): R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Onde comprar: Compare preços
Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.

Extraordinário foi mais uma leitura que me surpreendeu e muito. Eu recebi ainda em parceria com a editora Intrínseca como uma das apostas do mês e confesso que ao ler a sinopse e ver alguns comentários sobre o livro, fiquei com um ‘pé atrás’ na leitura por prever que talvez fosse muito triste a estória e talvez não me agradasse. E esse pensamento foi um erro. Extraordinário é singelo, delicado e apaixonante.

Auggie tem uma doença rara que o fez ter a aparência que tem. Uma aparência em seu rosto quase que totalmente desconfigurada, lhe causando uma vida reclusa em casa, com sua irmã mais velha, Via, seus pais e sua cadela Daisy. Até que sua mãe resolve colocá-lo em uma escola. No começo, August não recebe muito bem essa notícia por saber do que pode sofrer numa escola com crianças ‘normais’, tendo a aparência que tem. Mas ao longo do tempo descobre que ter outros amigos não é tão difícil assim e mesmo com as dificuldades em ser uma criança diferente, ainda assim são crianças, vivendo suas aventuras e fantasias da melhor forma possível.

Extraordinário é apaixonante. Por que?

Por Auggie, que mesmo irritando com suas infantilidades (dã, é uma criança) e até um pouco de egoísmo, nos cativa por ser inocente mas inteligente e maduro, considerando a idade que tem. Acredito que sua deformação no rosto tenha trago essa maturidade precoce, mas isso não é algo tão ruim para ele.
Por seus pais tão protetores mas ao mesmo tempo incentivadores em ter o filho participando da sociedade que o rodeia; eles são demais atenciosos por ter um filho com necessidades mais urgentes que uma criança normal teria e mesmo sendo tão zelosos e preocupados, são cativantes por toda a coragem que tiveram na criação de August e de uma outra criança.
Pelos amigos (de verdade) de Auggie, são crianças também com aspectos maduros, mas ainda são crianças e sabem dos problemas que os rodeiam e cultivam uma coragem incrível em comparação com outras que apenas ‘fechariam a cara’ e chorariam.



Digo isso por que partes do livro é um narrador diferente. Temos numa parte a visão de Auggie sobre o que acontece com sua vida. Depois temos a de Via e também de Jack e Summer. Todas crianças ou adolescentes (no caso da irmã de August e do namorado dela) e esse diferencial foi mais do que bom, as diferentes narrações foi o que mais me cativou.

R.J. Palacio escreveu um livro sobre um tema bastante peculiar, por não encontrarmos muitos falando sobre crianças com raras doenças, ou pelo menos, que eu encontre muito. E ela escreveu de uma forma tão delicada, tão simples mas ao mesmo tempo esplêndida! Por não haver apelação, por não haver tantas cenas melodramáticas, enfatizando o ruim e por não trazer personagens fora de suas realidades (crianças são crianças).

Enfim, Extraordinário é mais do que recomendado por mim, não é uma estória triste sobre um garoto com um rosto diferente. É uma estória singela sobre um garoto vivenciando novas experiências e testando sua coragem e determinação. É emocionante pelo personagem tão apaixonante e diferente que é August.

19 novembro 2013

Resenha - Noites Italianas

Título: Noites Italianas; 
Original: The Romantic;
Autor(a): Kate Holden;
Editora: Novo Conceito;
Tradução: Carolina Caires Coelho;
Sinopse: Quanto Kate decidiu abandonar seu passado, em Melbourne, e começar uma jornada para dentro de si mesma, foi para um país reconhecidamente româtico. Enquanto se encantava com as ruínas de Roma e as praças de Nápoles, esperava encontrar - em ruas estrangeiras - sua verdade pessoal. Mas a peregrinação de Kate exigiu coragem. Encontrar o verdadeiro amor, ou, quem sabe, perder-se para sempre de maneira a não ter mais qualquer chance de resgate foram possibilidades reais na Itália... Especialmente para alguém que estava acostumada a viver entre as vielas da escuridão. Em um romântico, mas estranho país, com muitos - alguns bem significativos - casos de amor, e mais algumas noites de sexo sem compromisso, ela vai se perguntar se é, verdadeiramente, um espírito livre, ou uma atriz que decorou tão bem o seu papel de mulher sedutora que já não consegue desvencilhar-se dele...


Noites Italianas foi uma cortesia da editora Novo Conceito a qual, assim que saiu o catálogo, meus olhos castanhos logo se arregalaram de interesse e vontade. Acho que todo mundo aqui sabe como é quando um livro que faz totalmente a sua cara está ali, disponível para ser pego gratuitamente: o olhar brilha, a boca sorri, mil e uma ideias de como o enredo e os personagens devem ser se formam na mente. Aquele livro, que a sinopse dizia contar a história de uma mulher (a própria Kate Holden) que necessitava sair de seu lugar natal para reencontrar-se e entender-se após um tempo obscuro de vício em heroína e de venda do próprio corpo para conseguir manter as dívidas pagas, e que escolhera justamente a Itália como o lugar para plano de fundo de sua jornada, soou-me encantadoramente tentador. Como um bom fã de Comer, Rezar, Amar (aliás, adianto-lhes: para aqueles que acharam que a história, por se tratar de uma redescoberta pessoal e situar-se na Itália, é muito igual à epopeia espiritual de Elizabeth Gilbert: vocês estão enganados), sou apaixonado por relatos pessoais – livros de memórias – e principalmente aqueles que têm cunho intimista e introspectivo, e muito mais apaixonado ainda pelo lugar da linda e bela dolce vita. Quer dizer: o que mais eu poderia querer deste livro, que parecia ter tudo o que eu queria e mais um pouco?

Mas é aí que está o ponto: eu não encontrei no livro aquilo que eu pensei encontrar. Para começar essa discussão opinativa sobre Noites Italianas, o primeiro choque que encontrei foi que, apesar de ser um livro de memórias – onde os autores costumam tratar de si mesmos em, obviamente, primeira pessoa –, Kate Holden fala de si mesma em terceira pessoa. Eu não cheguei a pensar que tudo poderia desandar por esse fato; confiei na escrita da autora, e deu certo. O estilo dos relatos de Kate Holden, contados em terceira pessoa (“Ela”, como quase sempre é referida), deram à autora a margem para ser tão intensamente poética como conseguiu ser. Noites Italianas é como um enorme poema, que foi desmembrado para linhas em prosa, o qual manteve seu belo lirismo e seus floreios textuais próprios de uma linguagem poética. É uma escrita linda, de palavras lindas, de um tato e uma perícia textual belíssima que, mesmo em momentos carnais, sexuais ou dolorosos, consegue ser tão sutil quanto um céu noturno italiano.

Momentos esses os quais, fiquem todos avisados: compõem grande parcela do livro. Para ser bem franco, acho que em quarenta por cento (se não mais) do livro Kate Holden está ou fazendo sexo ou pensando em sexo. A personagem tem intrínseca à sua pessoa a prática sexual, ela gosta de fazer sexo (e, convenhamos, ela está na Itália). Tão é forte a questão sexual no texto de Holden que as “Partes” que dividem o livro levam justamente o nome de pessoas com quem Kate teve algum tipo de envolvimento carnal na Itália (fora a última, é claro). Porém, ainda que seja sexo retratado e em algumas vezes as palavras usadas sejam consideradas fortes demais para alguns, a poesia não se perde; a introspecção menos ainda. É absurdo, às vezes, a forma com que você parece estar dentro de Kate Holden. É como se você estivesse lendo sua pele, sua carne, não suas palavras. E o mais curioso de tudo é que a autora não se vale de irreverentes e complicadas discussões filosóficas para alcançar o seu interior: ela é simplória, mas numa narração rica e uma veia interminavelmente poética.

É corajosa, Holden. Acho que o fato de abandonar tudo o que se tem, todo o conforto, para buscar a si próprio, já é um grande fator que demonstra bravura, porém é perceptível o quão baqueada sentimentalmente esta mulher se encontra nas páginas do livro. Holden tem bravura não só por buscar novos horizontes longe de tudo o que tem, não só por tentar reconstruir sua vida após uma enxurrada de momentos ruins perpassarem por seus caminhos, mas também por ser ela mesma. Kate Holden é uma mulher complicada, sinceramente meio doidona, às vezes permissiva demais, às vezes submissa demais, entregue demais. Cheguei a momentos do livro em que olhei para aquilo que lia e realmente disse pra mim mesmo: “Gente, como ela pode fazer isso? Como ela se permite?” – entretanto, sabe aquele tipo de personagem que, mesmo fazendo tanta bobagem, algumas coisas as quais você não concorda, você não consegue deixar de amar? Não há como não amar a – essa talvez seja a frase mais clichê de todos os tempos, mas é verdade – complicada e perfeitinha Kate Holden. Ela é incrível, e eu realmente gostaria de ser amigo dela.

E, ah, e a Itália?... Eu sou suspeito para falar desse lugar, é claro: todo mundo que me conhece sabe que sou perdidamente apaixonado por tudo que é italiano – da arquitetura à gastronomia (com ênfase na última, é claro). Conheço muito da Itália: estudo muito sobre. Eu já me considerava um perfeito fã desse país, mas lá me veio Kate Holden também me causando isto: mais paixão e amor por este lugar. Talvez uma das coisas mais lindas que existam nesse livro seja assistir a Itália, e seu dia-a-dia, e sua arquitetura, e suas pessoas, e suas construções, e sua comida, pelos olhos poéticos de Holden. Sua descrição sobre o lugar é apaixonante, linda, de uma poesia sedutora (faz você querer conhecer aqueles lugares) e suave. Vale realmente a pena conferir.

Já quanto ao final, é um bom final. Os acontecimentos que levaram ao fim foram os mais tristes do livro, sem dúvidas, quanto à questão sentimental. O sentimental torna-se palpável nos últimos momentos, porém não meloso e chato (não caberia num livro e numa escrita tão madura algo assim; ao menos não de forma exagerada), e culmina em algo que é realmente já esperado da narrativa. Não é um final de reviravolta épica; é um final simples, calmo. Não tão bonito, porém libertador. Posso afirmar sem sombra de dúvidas que tem um dos finais mais reticentes que já li – e, por isso, um dos mais completos.

Noites Italianas é um livro que superou todas as minhas expectativas, e que fez em mim marcas bastante profundas. Algumas doloridas, mas edificantes – todas elas. De qualidade, de poesia, de introspecção, e de busca de si mesmo: um lindo livro. Que vale a pena ser lido com o mais bondoso e compreensivo dos olhares literários.

15 novembro 2013

O sim, o não e o talvez



Você é sim e não.

Eu sou o talvez.

Eu rodeio. Você sintetiza.

Você é pouco. Eu sou muito. Até demais.
O positivo e o negativo. Eu sou o negativo.

E no que tudo isso poderia dar? Não sabemos. Por que ainda não terminou. E tenho medo desse ‘ainda’, por que não quero ele venha. Não queremos, certo?
Você zomba da minha extravagância. Eu acho sua simplicidade complexa.

Você se cala. Eu esbravejo. E dramatizo.

Entra comigo nesse drama? Não precisa ficar por muito tempo. É só até a hora do café da manhã. Até eu me canso dos meus próprios dramas.

Você tem desejos realistas. Eu tenho sonhos grandiosos.

Sonha comigo? Eu te escolhi justamente por fazer parte desses sonhos.
Você olha para frente. Eu olho para o céu.

E no que isso pode dar mesmo?! Não sei. Não sabemos.

Continuamos nesse paradoxo sentimental. Continuamos no antônimo um do outro. De certa forma. Não de um todo.

Apareceste nos meus sonhos um dia e depois de algum tempo materializou-se. Você. De corpo inteiro. De coração inteiro. Certo? Certo.
“Você concorda?”

“Sim e você?”
“Eu? É, talvez...”

Eis o meu eterno ponto de reticência.

Isso! Eu sou reticência.

Você é ponto final. Talvez o de seguida.

Talvez. Olha o meu talvez aparecendo novamente!

Viu?! Não?! É, eu sei. Você não olha para as entrelinhas. Eu olho até demais. Pressinto ver o que nem está ali de fato.
Por que você não é entrelinhas. Você é texto jornalístico. É claro e conciso.

Você é paciência. Eu sou histeria tentando ser calmaria.
Me ensina essa calmaria?
Eu deixo bem claro o que eu sinto e você aprende a rodear mais.

Eu posso sintetizar e você pode ler algumas entrelinhas.

Eu experimento baixar um pouco a cabeça e olhar para frente e você experimenta levantar um pouco a sua e olhar para o céu.

Eu me torno positiva e você o negativo. Só por um tempo. Por que logo vem a neutralidade e talvez dois se torne um. E o um em dois. Ou os dois sendo de um de vez em quando.

Pode ser?

“Talvez...”      

“Talvez não, é sim ou não?”

“Definitivamente sim.”

05 novembro 2013

Playlist: Alternativos


Faz muito tempo que não posto alguma Playlist aqui no blog e nossa, que saudades eu estava de planejar um tema e escolher as músicas *O* Para o tema da volta da Tag, escolhi um que me agrada e muito, não sei muito sobre músicas alternativas, mas olhando para o gosto da maioria, meu repertório inteiro é alternativo (risos). Mas falando sobre a playlist do post, as músicas são bem (bem mesmo) alternativas, algumas dançantes, outras mais calminhas e outras mais lentas, com uma batida legal (Por que não sei falar direito sobre instrumentos e melodias.rs).
Enfim, enjoy it!

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