02 outubro 2013

Resenha - A Travessia

Título: A Travessia; 
Original: Cross Roads;
Autor(a): William P. Young;
Editora: Arqueiro;
Revisão: Hermínia Totti e Rebeca Bolite;
Onde comprar: Compare preços;
Sinopse: Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando "acorda", ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo.
À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance.
Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria. Nessa jornada, precisará "enxergar" através dos outros e conhecer suas visões de munda, suas esperanças, seus medos e seus desafios.
Na busca de redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa?


O famoso e barato método de adquirir livros “Avon” não é muito bem falado na terra encantada dos bibliófilos. Além do motivo mais clássico – o tamanho diferente e desconfortável dos livros (se tem um troço que me irrita é isso de “versão econômica”) –, ao menos aqui em Belém do Pará a AVON costuma ser meio faltosa. Os livros, às vezes, não vêm, e toda aquela pura expectativa enfatizada pela espera cai feito um prédio desmoronando ao ouvirmos da/do consultora/consultor que o livro não veio. Até a colher da panela de pressão da vizinha vem, mas o livro não. Frustrante.

Mas, ainda com todos esses contras, eu não resisti ao ver aquele livro tão bonito no catálogo que minha doce amiga Leila trouxe consigo naquela manhã de quinta-feira. Há tempos eu queria um livro de William P. Young, mas A Cabana, pra mim, sempre foi aquele tipo de livro que você tem interesse, mas que dá preguiça e pena de levantar e ir pagar. Eu também não queria ler de Young primeiramente A Cabana. Acho que quando há outras obras de um autor que foi sucesso com uma em especial você não deve necessariamente começar lendo esta. Às vezes é bom conhecer o autor por seus menores sucessos e outros livros.

Por isso que pedi A Travessia – e ele veio lacradinho, em tamanho normal, rápido. Uma grata surpresa.

Este é um livro que fala sobre redenção e evolução – sob uma óptica espiritual-filosófica cristã. A Travessia conta a história de Anthony Spencer, um homem que, após escolher caminhos, ações e perspectivas não-edificantes, por conta de traumas e tristezas acumuladas de um passado coberto por mágoas e perdas, está à beira da morte e recebe uma nova chance de compreender a vida literalmente por outros olhos, além de uma dádiva: a chance de curar uma pessoa. Os caminhos para a superação e perdão de si mesmo são contados nas 237 páginas do segundo livro de William P. Young, considerado um dos grandes porta-vozes da literatura de ficção espiritual dos dias de hoje.

A poesia prosaica no primeiro parágrafo deste livro bastou para me arrebatar. Começos de livros são sempre importantes: se um início é bom, há grandes chances de não abandonarmos a história ao longo desta. Young escreve tratando o leitor com todo o respeito que este merece, com uma escrita lindamente inteligente, sutil e educada. Young é um anfitrião de primeira classe, que nos leva pelos caminhos de seu livro com todo o amor e amigabilidade que um escritor pode (e precisa) ter.

Mas sem mais enrolações. Vamos ao ponto que 99,99% dos que leem resenhas sobre Young esperam: críticas sobre a parte espiritual contida na obra do cara. E de antemão, quero deixar claro que todas as opiniões aqui são pessoais e tiradas de concepções totalmente íntimas. Não falo aqui pelo Young, ou pele entrar e a Jeniffer Yara – falo por mim, Breno. Apenas por mim.

A Travessia é um livro quase que completamente metafórico, cheio de simbolismos e muitos sutis implícitos – por isso que exige doses de abstração e sensibilidade grandiosas, se você é um leitor que gosta de entrar e realmente sentir o livro em si. Tem um embasamento cristão, como se pode perceber só pela sinopse – no entanto, seu caráter espiritual e ideológico é claramente universal. Tradução: fala sobre questões que todas as religiões buscam e sempre buscaram através dos séculos: redenção, benevolência, bondade, respeito, amor, perdão e superação. Se você não tiver preconceito algum e não for cristão, você pode se encontrar neste livro – sendo espírita, sendo hinduísta, sendo budista.

Você topa constantemente em reflexões em A Travessia. Estas são sobre inúmeros pontos que muitos de nós nos perguntamos: sobre a vida, sobre a morte, sobre o pós-morte, sobre a forma que encaramos a vida e sobre como as desaventuranças podem mudar a vida de um ser – seja para melhor, seja para pior. Ele pode ser tocante e profundo em inúmeros momentos pelo caráter íntimo que traz: a obra mexe com o espiritual e as ideias de divindade, amor, existência e autoconhecimento que todos temos. É por isso que, antes de lê-lo, fique avisado: ele pode mudar algumas verdades de lugar dentro de você. Mudou algumas minhas, certamente.

Além disso, há três pontos principais que estarei sendo herege se não falar sobre. Três pontos que me deixaram maravilhado com o enredo. O primeiro é a releitura de Young sobre a imagem de Jesus Cristo. O Jesus de Young é um homem totalmente palpável, acessível e humano – um Jesus brincalhão, docemente irônico, que se veste como um homem qualquer e trata o protagonista com igualdade e amizade. Como um profundo adorador da ideia de um Deus próximo e amigo, aplaudi de pé a decisão de Young de não colocar Deus/Jesus num trono imponentemente inalcançável e torna-lo humano e... Alcançável.

O segundo ponto é o caráter hipersensível e poderosamente conhecedor que o narrador trata sobre as visões de mundo do protagonista. A insensibilidade e desinteresse deste homem, Anthony Spencer, pelo bem estar e condições do próximo chegam a ser cruéis e indignantes. Talvez seja por eu ainda ser um dos poucos bobos tipos de pessoa que ainda se choca com a incapacidade de empatia e afeto de alguns seres humanos para com outros.

E o terceiro ponto é o desfecho do livro.

Magistral. Não poderia ter um fim melhor. O livro termina com os objetivos alcançados, os assuntos bem costurados, o enredo sem entraves e com aquela massacrante curiosidade sobre a aventura seguinte a ser imaginada. A liberdade de nos dar a liberdade para imaginar o verdadeiro “fim” de Anthony Spencer foi mais uma prova da gentileza de Young para com seu leitor. E mais uma prova do quão bom escritor esse homem é.

Há mais uma penca de tópicos no meu caderninho de anotações para resenhas sobre este livro, mas eu não preciso mais me alongar nessa resenha já quilométrica. As concepções são infinitas. A Travessia é um livro infinito, que merece a infinitude daquele que o lê para que sua universalidade seja devidamente alcançada, sentida e maduramente julgada.


Super indico A Travessia para você, leitor. Para que com sabedoria o leia e saiba retirar dele tudo o que há de bom – que, eu garanto, não é pouco não.

9 comentários:

  1. Aqui onde moro já comprei livros da Avon e sempre chegam ótimos e rápido =D
    Adorei A cabana, muito mesmo!! O jeito da escrita do autor me encantou :)

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  2. Entrou para minha listinha...Nunca tinha visto falar. Gostei da resenha.. bjos
    Blog DAMA DE FERRO

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  3. Vou procurar nas livrarias
    quaseprincipa.blogspot.com.br

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  4. Acho que essas reflexões citadas na resenha são típicas do autor, assim como sua linguagem mais poetizada. Eu li A Cabana há anos, gostei, mas não achei aquilo tudo. No entanto, tenho de admitir, a carga de mensagens da história é enorme. Não tenho tanta curiosidade de ler outras coisas do autor, mas quem sabe:?

    Beijos

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  5. Hey
    Ah eu não li 'A Cabana' até hoje, mas tenho curiosidade.
    Gostei dessa resenha e 'A Travessia' parece ser legal.

    Eu compro livros na Avon, é quase a edição das Lojas Americanas hahaha pra alguns...
    Desde que não rasgue página ta bom

    bjs
    Nana - Obsession Valley

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  6. Oi, tudo bom?
    Passando para deixar um comentário rsrs
    Ai , o livro deve ser demais !
    Adorei a resenha, já to atrás dele :)
    Beijos*-*
    Território das garotas
    http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com.br/

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  7. Já tentei ler a Cabana, mas é aquele tipo de liv ro que você tem meio que gostar de coisas espirituais religiosas e eu acabei me entediando rápido. Já ouvi falar desse livro da resenha, que é muito bonito. Mas bom, acho que eu vou ter que esperar alguns anos para le-lo :)
    Eu adorei seu blog.
    Tem post novo lá no blog *-* e ele agora tem twitter ( UHUL) segue lá @torresaamanda
    Beijos
    barradosno-baile.blogspot.com

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  8. Nossa, que bom que curtiu, sempre tive vontade de ler A Travessia, mas ao ler antes a A cabana me desmotivou, achei o livro de A Cabana muito parado, e temo que esse seja da mesma forma, por ser do mesmo autor, mas talvez eu devesse dar uma oportunidade a ele ao A Travessia. Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  9. Preciso ler esse livro demais.
    Ele e A cabana que preciso reler.

    www.iasmincruz.com

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Opine,reclame,exclame,comente.Mas uma dica: palavras sinceras são sempre bem-vindas.

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