30 outubro 2013

A arte de Babs

Barbara, ou melhor, Babs nasceu em Charleston e mudou-se para cursar a faculdade no Maryland Institute of Art em Baltimore. Atualmente ela vive em San Francisco onde trabalha em tempo integral  com ilustração, segundo a mesma, um sonho (viver de arte é difícil, sabemos disso Babs, deve ser um lindo sonho mesmo... ^^) !

As suas ilustrações são extremamente Fashionistas e femininas, tem uma pegada rock n' roll e ainda  garotas cheias de referências à animes, HQs, séries de TV etc... Babs usa e abusa de cores fluorescentes e tons fortes, o que dão um ar pop e contemporâneo ao seu trabalho. 
Para conhecer mais as ilustrações da moça acesse: Aqui!


26 outubro 2013

Resenha - Manuscritos do Mar Morto



Título: Manuscritos do Mar Morto; 
Original: The Dead Sea Deception;
Autor(a): Adam Blake;
Editora: Novo Conceito;
Tradução: Camila Fernandes;
Sinopse: A ambiciosa policial Heather Kennedy está em seu trabalho mais difícil: seus métodos de investigação são criticados e ela está sendo assediada por colegas rancorosos porque não lhes dá atenção. Até que lhe é atribuída o que parece ser uma investigação de rotina sobre a morte acidental de um professor da Faculdade Prince Regent, mas a autópsia deste caso volta com algumas descobertas incomuns: o inquérito vincula a morte deste professor às de outros historiadores que trabalharam juntos em um obscuro projeto sobre um manuscrito da Era Cristã. 
Em seu escritório, Kennedy segue com sua investigação e logo se preocupa com o rumo para onde está sendo levada. Mas ela não está sozinha em sua apreensão. O ex-mercenário Leo Tillman - seu futuro parceiro - também tem angustiantes informações sobre estes crimes. E sobre a misteriosa organização mundial a que os crimes se relacionam... Escondido entre os pergaminhos do Mar Morto, um códice mortal pretende desvendar os segredos que envolvem a morte de Jesus Cristo. 
Entre um terrível acidente de avião no deserto americano, um brutal assassinato na Universidade de Londres e uma cidade fantasma no México, Manuscritos do Mar Morto é o mais emocionante thriller desde O Código Da Vinci.

Manuscritos do Mar Morto, para deixarmos tudo em pratos limpos logo de uma vez, foi minha primeira experiência com literatura policial. Não foi por falta de oportunidade que não li este tipo de livro antes: a verdade é que, além de estar há anos quase completamente submerso em literatura fantástica, eu evitei. Por medo, certamente: temática policial sempre me arremeteu muito fortemente à violência, a coisas sanguinárias e até mesmo a brutalidade, e por um longo tempo eu evitei coisas do tipo. Simplesmente não queria lê-las. Afastava-me, evitava mesmo.

Só que este livro me provou que eu estava errado. Não completamente errado, já que as características próprias do estilo policial ainda residem nesse livro (não há como fugir do que é essencial de um gênero quando você se propõe a escrever sobre ele), mas ele certamente é o tipo de livro que qualquer um que ainda não leu literatura policial deveria ler para entrar nessa dimensão literária.

A história nos conta os destinos cruzados da policial Heather Kennedy (que, rebaixada para a seção mais tediosa da polícia após ser acusada de um crime num passado não tão distante, é desprezada e ridicularizada por seis colegas de trabalho) e do ex-mercenário Leo Tillman (um homem amargurado e sofrido, aficionado pelo desejo irrefreável de vingança pelo desaparecimento misterioso de sua família – e provavelmente o personagem que mais amo perdidamente no mundo literário). Destinos que se cruzam quando um ponto – ou melhor: uma pessoa em comum cruza os interesses pessoais de ambos e sua forças precisam ser unidas para o sucesso de suas buscas. Porém, eles nãp imaginam nem de longe o que uma investigação policial sobre um projeto aparentemente insolúvel sobre um manuscrito da Era Cristã pode lhes acarretar. E menos ainda até onde pode lhes levar.

O primeiro ponto digno de comentário é a qualidade do prólogo de Manuscritos do Mar Morto. Simplesmente fantástico. Sou muito, muito chato com prólogos, já que tenho em mente que eles devem expressar com fidelidade a ideia de uma obra e, além disso – além de transpassar com as palavras o clima e estilo de um livro –, resumi-la de forma coerente e que prenda a atenção do leitor, e sem contar mais do que se deve deixar, de início, o leitor saber. Escrever um prólogo não é algo simples; muitas vezes (e eu conheço muitos desses exemplos) os prólogos são insuficientes e vagos, quando não desastrosos. No entanto, o de Manuscritos do Mar Morto não: além de brilhantemente escrito e planejado, ainda tem uma importância crucial para um momento além do livro; a retomada do prólogo é surpreendentemente feita, muito astuta. Aliás, a astúcia neste livro é uma característica bastante perceptível. Grandioso autor.

Mas o autor eu sempre deixo para falar por último nas resenhas. O foco, agora, é na história: sagaz, de um ritmo acelerado e, como já dito, com traços policiais fiéis ao gênero. É surpreendentemente meticulosa e inteligente em momentos chave, o que, além de prender a atenção dos apaixonados por detalhes e quebra-cabeças, instiga qualquer um que a lê – características sempre acompanhadas por uma sombra de mistério, que dá ao livro um ritmo que vai sempre em aclive. Em 477 páginas, o ritmo só cresce, nunca para ou decai. O que é fascinante.

Com um ar sério e de suspense, Manuscritos do Mar Morto é magistralmente narrado: dinâmico, sombrio, requintado, contínuo, possuidor de um fluxo de pensamento suave e cativante. Por vezes e mais vezes eu me peguei virando quarenta, cinquenta páginas sem ver o tempo passar. A forma com que o suspense se atrela ao mistério e às conexões de fatos no decorrer do enredo é loucamente excitante; até as notas de rodapé são prestativas e interessantes. É um livro intenso, bravo, por vezes até brutal (mas acho que isso já é por eu não ser acostumado à frieza da literatura policial), entretanto ao mesmo tempo dotado de uma assombrosa profundidade emocional. Talvez esse tenha sido o ponto que mais me apaixonou do livro: a capacidade de conseguir ir da gelidez à intensidade emocional sem incoerências ou quebras de raciocínio e ritmo.

Também deve ser levado em consideração que é um livro com temática polêmica, por isso deve ser lido com mente aberta e sem ressentimentos. Literalmente falando, não lhe aconselho a ler se for um cristão impaciente e não receptivo – pois o assunto é, como dito, polêmico. Pessoalmente, sobre este ponto, sou apaixonado por histórias que falem sobre verdades ocultas de alguma religião, seita, e todo o mistério que envolve sua criação e firmação vigente – sem julgar ou ridicularizar, é claro. Para quem gosta, como eu, é um prato cheio o livro de Adam Blake.

Escritor o qual... Deus. É de uma perícia invejável ao escrever e descrever de partes puramente técnicas a outras puramente biológicas, passando por apanhados histórico-religiosos, tudo com uma carga de conhecimento e estudos maravilhosa – e sem perder a beleza de mexer com as palavras, a poesia e a destreza para com elas. Adam Blake é ótimo. As cenas de ação, então? Injeções de adrenalina pura; criativas. Blake consegue alcançar nuances diversas na narrativa de forma honorável. Bela.

E mais – porque preciso comentar sobre isso. O fim. Os últimos capítulos são de uma sucessão desesperadora de fatos, revelações e mais e mais mistérios, tudo untado com quantidades absurdas de suspense e dramatização, as quais possibilitam o leitor de tomar sequer uma lufada de ar até que tudo termine. E o fim propriamente dito, o qual não soube e não sei como definir como feliz ou triste. Só sei (e posso) dizer que é chocante. Chocante. Me vi em choque. De boca aberta. O coração pulando no peito, e simplesmente certo de que essa foi uma das leituras mais incríveis e indescritíveis da minha vida.


Quero terminar esta resenha, por fim, desta forma: obrigado, Adam Blake, por ter escrito esse livro. E à Novo Conceito por tê-lo lançado no Brasil. É algo ASSIM que merece ser um puta best-seller.

21 outubro 2013

Resenha - O Amor Mora ao Lado

Nome: O Amor Mora ao Lado.
Original: Family Affair.
Autora: Debbie Macomber.
Editora: Novo Conceito.
Sinopse: Lacey Lancaster sempre quis ser esposa e mãe. No entanto, depois de um divórcio bastante doloroso, ela decide que é hora de dar um tempo em seus sonhos e seguir sozinha mesmo. Mas não tão sozinha: sua gatinha abissínia, Cleo, torna-se sua companhia de todas as horas. Até que é uma vida boa_ um pouco aguada , é verdade_ a de Lacey. A não ser por seu escandaloso vizinho, Jack Walker.
Quando Jack não está discutindo, sempre em voz muito alta, com sua  namorada _ com quem insiste em morar junto_ está perseguindo seu gato, chamado Cão, pelos corredores do prédio. E Cão está determinado a conseguir que a gatinha Cleo sucumba aos seus avanços felinos. Cão e Jack são realmente muito irritantes.
Mas acontece que a primeira impressão nem sempre é a que fica...

                                                                          
Lacey entra em seu apartamento após um dia de trabalho e é recebida pela gatinha Cleo. Aborrecida por mais uma vez não ter conseguido pedir o seu aumento (merecidíssimo, afinal, chega a executar tarefas que são da responsabilidade de seu chefe, fora as horas e horas extras) resolve vasculhar a geladeira na esperança de encontrar algo para jantar. Entre escombros de comida estragada e restos de comida chinesa, decide enfim, por devorar um triste aipo, tão molenga quanto ela, e volta a se lamentar. Lembra que após o destrutivo divórcio estava como Cleo, abandonada, a gata em um pet shop pois seus irmão haviam sido todos vendidos, sentiu que tinham algo em comum e ambas faziam, agora, companhia uma a outra, apesar de Cleo estar muito estranha aquela noite... Não demorou muito para começar a ouvir as habituais discussões de seu vizinho com sua namorada (paredes muito finas), por ser educada e preferir evitar problemas (as sequelas do divórcio) nunca reclamou, no entanto, dessa vez, preferiu resolver as coisas depois da tentativa frustrante de ter batido com a palma das mãos na parede, educadamente, é claro, foi ao apartamento ao lado e bateu à porta, viu a mulher e Jack (o lindo e galanteador Jack), dai em diante, sua vida começou a tomar um novo rumo...

O Amor Mora ao Lado é de uma leitura muito fluida e rápida, um livro para ser lido numa tarde gostosa, em um feriado entediante. Apesar de a trama ser bem previsível, a leitura chega a ser prazerosa (os gatinhos tem um papel importantíssimo e dão um ar traquina na estória) e sem muitas firulas ou excessivamente verborrágica. Creio que existem dias que só queremos ler algo mais água com açúcar e com um final feliz e tranquilo, e O Amor Mora ao Lado é exatamente esse tipo de leitura, isto é, foi escrito para passar aquela atmosfera de mulher divorciada redescobrindo o amor, tão comum, mas que faz tanto sucesso. É um ótimo livro para quem gosta de gatos e romances desse gênero. Aliás, a diagramação é bem cute (gatinhos por toda a parte). Encontramos, ainda, no final do livro umas receitas de petiscos para os bichanos.


"Ele sorriu. Lacey podia jurar que nunca havia visto alguém tão bonito. Era estranho, ela sabia, sentir-se daquela maneira por um homem. Não era a aparência dele, embora ele fosse muito atraente. Mas o que ela achava tão fascinante em Jack era quem ele era como pessoa. Era confiável e generoso. Ele havia ajudado a recuperar sua fé no amor e na vida. O amor dele havia sido uma dádiva preciosa pela qual ela sempre seria grata."


Espero que tenham gostado. Um grande abraço em todos!

10 outubro 2013

Resenha - Os adoráveis

Nome: Os adoráveis
Original: Adorkable
Autor(a): Sarra Manning
Editora: Novo Conceito
Onde comprar: Compare preços
Sinopse: Jeane é blogueira. Seu blog, o Adorkable, é um blog de estilo de vida — na verdade, o estilo de vida dela — e já ganhou até prêmios na categoria “Melhor Blog sobre Estilo de Vida” pelo e Guardian e um Bloggie Award. Adora balas Haribo, moda (a que ela cria, comprando em brechós) e colorir (ou descolorir totalmente) os cabelos. Cheia de personalidade e meio volúvel, ainda assim Jeane é bacana — mesmo nos momentos em que se transforma numa insuportável. Mas, certamente, ela não olharia duas vezes para Michael. Porque Michael é o oposto de Jeane. Ele é o tipo de cara que namoraria a garota mais bonita da escola. E compra suas roupas na Hollister, na Jack Wills e na Abercrombie. Além disso, diferente de Jeane, que é autossuficiente, Michael é completamente dependente do pai, o Clínico Geral que condena açúcar, e ainda permite que sua mãe compre suas roupas! (Embora, para Jeane, o pior mesmo sobre Michael é que ele baixa música da internet e nunca paga por isso). Jeane e Michael têm pouco em comum, além de algumas aulas e uma maçante dupla de “ex” — Scarlett e Barney. Mas, apesar disso, eles não conseguem se desgrudar desde que ¬ ficaram pela primeira vez.

Os adoráveis é mais do que um livro bom, um dos poucos que eu pude me identificar quase plenamente (infelizmente não moro em Londres e não me visto excentricamente como Jeane).

Para quem é fissurado em Moda e redes sociais (eu), Jeane é super ‘identificável’, com suas roupas mais do que extravagantes e sua paixão por seu blog Adorkable, que se tornou não só um blog de sucesso, mas um estilo de vida (Dork is the new black!), ela vive exclusa em sua escola, onde só vê adolescentes sem graça e sem personalidade, guiados pela cultura de massa (que Jeane odeia) que não a entendem. Seu único amigo (e namorado) é Barney, que por sinal, é alvo de um estranho comentário de Michael, o garoto popular e perfeito que todo mundo ama e idolatra. Ele vem até a Jeane para falar de suas suspeitas de Barney com sua atual namorada, Scarllet. Impossível, Jeane pensa. E é a partir dessa ideia mais do que estranha, absurda, que Jeane e Michael descobrem-se vivendo algo juntos. Algo que nem eles mesmos sabem definir o que é.

Os adoráveis não fala apenas de uma garota excêntrica que mantém um blog de sucesso. Jeane vive sozinha em um apartamento bagunçado por que seus pais ‘sem graça’ separaram-se e sua irmã viajou depois de ter ganhado uma bolsa de estudos em outro estado. Então é só ela e seus pais gays temporários: Harry e Gustav. E sua tutora na escola, a Sr. Ferguson. Agora imaginem uma adolescente de 17 anos, vivendo sozinha, com hábitos nada saudáveis e de pensamentos totalmente diferentes da maioria dos adolescentes.

Jeane é muito egocêntrica e com seu tom monótono de voz ao falar com pessoas que consideram inferiores a ela no quesito estilo e personalidade e consegue fazer alguém se sentir mal por sua existência apenas com algumas frases impactantes. Ela é a personagem central do livro, obviamente, por ser a mais interessante em todo ele. Tem uma alma boa, no fim das contas, mas o que pratica em seu dia-a-dia não é considerável algo tão simpático. Por ser diferente, ter costumes diferentes, viver diferente, Jeane mantém um ‘ar superior’ em volta de si, olhando os outros ‘por cima’ de seu pedestal de modelo melhorado de sua geração e isso só a afasta das pessoas, principalmente de seus colegas da escola.

Por isso consigo entender um pouco Michael, mesmo ele sendo fútil e com pensamentos mesquinhos e meio idiotas (Ops, dando uma de Jeane. Mas já falei que super me identifiquei com ela né?! Então), por que Jeane é realmente irritante algumas (várias) vezes, com seus discursos longos sobre questões importantes, mas que nem sempre queremos abordar em certas situações.

Mas Michael também é um personagem interessante na estória, ele é mais do que normal e não nutri uma grande personalidade ou pelo menos uma personalidade impactante como Jeane, por que ele se faz perfeito à todas as pessoas que lhe interessam, ele é um perfeito filho (até encontrar Jeane), um perfeito namorado, um perfeito amigo, etc. O que só o torna monótono, mas ainda assim, não deixa de ser um personagem importante.

Até por que, Michael é o inverso de Jeane e com os capítulos intercalando entre ele e Jeane como narradores dos mesmos fatos que acontecem entre os dois, podemos ter a visão abrangente do quanto os dois pensam diferentes e o porquê dos seus desentendimentos; seus pensamentos se fazem importantes nas discussões e na incompatibilidade entre os dois.

Os adoráveis foi mais do que uma leitura agradável, quem mantém um blog e nutre um grande amor por ele sabe como é ter esse sentimento e sabe o que nos diferencia de pessoas que não tem e que ainda não experimentaram mexer, nem que seja um pouco, na vida de alguém através dos seus textos ou do que publica em seu blog. É por isso que me identifiquei tanto com Jeane, com sua obsessão por redes sociais e sua importância em mídias sociais importantes de Londres por simplesmente ter um blog e dedicar-se à ele a tal ponto que ganhasse fama por isso.

Ainda é uma leitura juvenil, afinal, é um romance adolescente com uma garota estranhamente interessante, mas muito recomendável para quem gosta de leituras leves, divertidas, descontraídas e mais do que identificáveis para nós, blogueiros e blogueiras, mentes que se distanciam da maioria, os dorks ♥

06 outubro 2013

Resenha - O melhor Lugar do mundo é aqui.

 Nome: O melhor Lugar do mundo é aqui.
 Nome Original: El mejor lugar del mundo es aqui mismo.
 Autores: Francesc Miralles & Care Santos.
 Editora: Record.
 Sinopse: " Quando as lágrimas deixaram de nublar seus olhos, notou de repente um café que nunca vira antes naquela esquina, pela qual passava com muita frequência. 'Deve ser novo', pensou, embora o aspecto do estabelecimento não confirmasse sua suposição. Poderia passar perfeitamente por um pub irlandês, todos muito parecidos, a não ser pelo fato de ter um ar de autenticidade que o tornava único. No interior, duas luminárias amareladas pendiam sobre mesas rústicas, surpreendentemente concorridas àquela hora de um domingo. Contudo, o que mais chamou sua atenção foi o letreiro luminoso que piscava de maneira intermitente acima da porta de entrada, como se estivesse empenhado em chamar sua atenção. Iris se deteve por um instante e leu em voz baixa: O melhor lugar do mundo é aqui."
                                                                              
    
O melhor lugar do mundo é aqui, é, sobretudo, um livro para ser lido com delicadeza e sem pressa, apesar da leitura correr fluida e de não ser um romance longo é cheia de referências musicais e a outras culturas (muito comum nas obras de Francesc Miralles). A estória nos envolve com uma manta de mensagens e conselhos de vida. Vale muito a pena sentar-se nesse misterioso café e solver um chocolate quente ao lado de Iris e Luca.
Quando Iris perdeu seus pais em um acidente de carro, a vida deixou de ter sabor e sentido, a solidão a consumiu, de modo que, afim de por um fim ao sofrimento e vazio, pensou em jogar-se nos trilhos do trem, no entanto, alguns instantes antes de concretizar o ato um estalido as suas costas a fez tomar um susto, um garoto segurava os restos de um balão que furara para assusta-la, esse gesto acabara por salvar sua vida. Aos prantos, após o susto com o que pensara em fazer Iris vagou e deparou-se com um local um tanto antigo, apesar de nunca o ter notado ali, como que querendo chamar sua atenção o letreiro luminoso anunciava: O melhor Lugar do mundo é aqui.
Sua curiosidade fez com que entrasse no local, um café, mas cinco das seis mesas estavam ocupadas por pessoas que nunca havia visto antes, atrás do balcão um senhor com uma imensa cabeleira branca fez um gesto para que se sentasse aquela mesa, uma canção dos Beatles preenchia o ambiente e a cabeça de Iris com lembranças, pediu uma xícara de chocolate quente, quando o liquido tocou seus lábios e seus pensamentos traduziam a música ambiente, ouviu uma voz que dizia: “...Sou seu homem.” _Como se estivessem lendo seus pensamentos, ao abrir os olhos Iris constatou que havia um homem a sua frente, apoiado com a mão no queixo a observando, ali sua vida começou a mudar...
Mais uma vez, Francesc Miralles, agora em parceria com Care Santos, consegue tocar seus leitores com doces romances sobre descobertas e superação, com sua sabedoria cativante e seu jeito simples de escrever.  O melhor lugar do mundo é uma ótima leitura e que deve ser relida quantas vezes forem necessárias. Leve, inteligente, emocionante e mágico.
Obs: Detalhe para as mesas e suas propriedades mágicas e para as ilustrações engraçadinhas que se encontra no decorrer da leitura.
Espero que tenham gostado! Um grande Abraço em todos!


02 outubro 2013

Resenha - A Travessia

Título: A Travessia; 
Original: Cross Roads;
Autor(a): William P. Young;
Editora: Arqueiro;
Revisão: Hermínia Totti e Rebeca Bolite;
Onde comprar: Compare preços;
Sinopse: Um derrame cerebral deixa Anthony Spencer, um multimilionário egocêntrico, em coma. Quando "acorda", ele se vê em um mundo surreal habitado por um estranho, que descobre ser Jesus, e por uma idosa que é o Espírito Santo.
À sua frente se descortina uma paisagem que lhe revela toda a mágoa e a tristeza de sua vida terrena. Jamais poderia ter imaginado tamanho horror. Debatendo-se contra um sofrimento emocional insuportável, ele implora por uma segunda chance.
Sua prece é ouvida e ele é enviado de volta à Terra, onde viverá uma experiência de profunda comunhão com uma série de pessoas e terá a oportunidade de reexaminar a própria. Nessa jornada, precisará "enxergar" através dos outros e conhecer suas visões de munda, suas esperanças, seus medos e seus desafios.
Na busca de redenção, Tony deverá usar um poder que lhe foi concedido: o de curar uma pessoa. Será que ele terá coragem de fazer a escolha certa?


O famoso e barato método de adquirir livros “Avon” não é muito bem falado na terra encantada dos bibliófilos. Além do motivo mais clássico – o tamanho diferente e desconfortável dos livros (se tem um troço que me irrita é isso de “versão econômica”) –, ao menos aqui em Belém do Pará a AVON costuma ser meio faltosa. Os livros, às vezes, não vêm, e toda aquela pura expectativa enfatizada pela espera cai feito um prédio desmoronando ao ouvirmos da/do consultora/consultor que o livro não veio. Até a colher da panela de pressão da vizinha vem, mas o livro não. Frustrante.

Mas, ainda com todos esses contras, eu não resisti ao ver aquele livro tão bonito no catálogo que minha doce amiga Leila trouxe consigo naquela manhã de quinta-feira. Há tempos eu queria um livro de William P. Young, mas A Cabana, pra mim, sempre foi aquele tipo de livro que você tem interesse, mas que dá preguiça e pena de levantar e ir pagar. Eu também não queria ler de Young primeiramente A Cabana. Acho que quando há outras obras de um autor que foi sucesso com uma em especial você não deve necessariamente começar lendo esta. Às vezes é bom conhecer o autor por seus menores sucessos e outros livros.

Por isso que pedi A Travessia – e ele veio lacradinho, em tamanho normal, rápido. Uma grata surpresa.

Este é um livro que fala sobre redenção e evolução – sob uma óptica espiritual-filosófica cristã. A Travessia conta a história de Anthony Spencer, um homem que, após escolher caminhos, ações e perspectivas não-edificantes, por conta de traumas e tristezas acumuladas de um passado coberto por mágoas e perdas, está à beira da morte e recebe uma nova chance de compreender a vida literalmente por outros olhos, além de uma dádiva: a chance de curar uma pessoa. Os caminhos para a superação e perdão de si mesmo são contados nas 237 páginas do segundo livro de William P. Young, considerado um dos grandes porta-vozes da literatura de ficção espiritual dos dias de hoje.

A poesia prosaica no primeiro parágrafo deste livro bastou para me arrebatar. Começos de livros são sempre importantes: se um início é bom, há grandes chances de não abandonarmos a história ao longo desta. Young escreve tratando o leitor com todo o respeito que este merece, com uma escrita lindamente inteligente, sutil e educada. Young é um anfitrião de primeira classe, que nos leva pelos caminhos de seu livro com todo o amor e amigabilidade que um escritor pode (e precisa) ter.

Mas sem mais enrolações. Vamos ao ponto que 99,99% dos que leem resenhas sobre Young esperam: críticas sobre a parte espiritual contida na obra do cara. E de antemão, quero deixar claro que todas as opiniões aqui são pessoais e tiradas de concepções totalmente íntimas. Não falo aqui pelo Young, ou pele entrar e a Jeniffer Yara – falo por mim, Breno. Apenas por mim.

A Travessia é um livro quase que completamente metafórico, cheio de simbolismos e muitos sutis implícitos – por isso que exige doses de abstração e sensibilidade grandiosas, se você é um leitor que gosta de entrar e realmente sentir o livro em si. Tem um embasamento cristão, como se pode perceber só pela sinopse – no entanto, seu caráter espiritual e ideológico é claramente universal. Tradução: fala sobre questões que todas as religiões buscam e sempre buscaram através dos séculos: redenção, benevolência, bondade, respeito, amor, perdão e superação. Se você não tiver preconceito algum e não for cristão, você pode se encontrar neste livro – sendo espírita, sendo hinduísta, sendo budista.

Você topa constantemente em reflexões em A Travessia. Estas são sobre inúmeros pontos que muitos de nós nos perguntamos: sobre a vida, sobre a morte, sobre o pós-morte, sobre a forma que encaramos a vida e sobre como as desaventuranças podem mudar a vida de um ser – seja para melhor, seja para pior. Ele pode ser tocante e profundo em inúmeros momentos pelo caráter íntimo que traz: a obra mexe com o espiritual e as ideias de divindade, amor, existência e autoconhecimento que todos temos. É por isso que, antes de lê-lo, fique avisado: ele pode mudar algumas verdades de lugar dentro de você. Mudou algumas minhas, certamente.

Além disso, há três pontos principais que estarei sendo herege se não falar sobre. Três pontos que me deixaram maravilhado com o enredo. O primeiro é a releitura de Young sobre a imagem de Jesus Cristo. O Jesus de Young é um homem totalmente palpável, acessível e humano – um Jesus brincalhão, docemente irônico, que se veste como um homem qualquer e trata o protagonista com igualdade e amizade. Como um profundo adorador da ideia de um Deus próximo e amigo, aplaudi de pé a decisão de Young de não colocar Deus/Jesus num trono imponentemente inalcançável e torna-lo humano e... Alcançável.

O segundo ponto é o caráter hipersensível e poderosamente conhecedor que o narrador trata sobre as visões de mundo do protagonista. A insensibilidade e desinteresse deste homem, Anthony Spencer, pelo bem estar e condições do próximo chegam a ser cruéis e indignantes. Talvez seja por eu ainda ser um dos poucos bobos tipos de pessoa que ainda se choca com a incapacidade de empatia e afeto de alguns seres humanos para com outros.

E o terceiro ponto é o desfecho do livro.

Magistral. Não poderia ter um fim melhor. O livro termina com os objetivos alcançados, os assuntos bem costurados, o enredo sem entraves e com aquela massacrante curiosidade sobre a aventura seguinte a ser imaginada. A liberdade de nos dar a liberdade para imaginar o verdadeiro “fim” de Anthony Spencer foi mais uma prova da gentileza de Young para com seu leitor. E mais uma prova do quão bom escritor esse homem é.

Há mais uma penca de tópicos no meu caderninho de anotações para resenhas sobre este livro, mas eu não preciso mais me alongar nessa resenha já quilométrica. As concepções são infinitas. A Travessia é um livro infinito, que merece a infinitude daquele que o lê para que sua universalidade seja devidamente alcançada, sentida e maduramente julgada.


Super indico A Travessia para você, leitor. Para que com sabedoria o leia e saiba retirar dele tudo o que há de bom – que, eu garanto, não é pouco não.
Copyright © 2014 | Design e Código: Sanyt Design | Tema: Viagem - Blogger| Personalizado por: Jeniffer Yara | Imagens do Header: Pinterest | Ícones de gadgets/categorias: Freepik | Uso pessoal • voltar ao topo