18 setembro 2013

Resenha - Emma

Título: Emma; 
Original: Emma;
Autor(a): Jane Austen;
Editora: Martin Claret;
Revisão: Michele Paiva e Silvia Mourão;
Onde comprar: Compare preços
Sinopse: Ao comentar sobre Emma Woodhouse, Jane Austen brincou com seus leitores dizendo que Emma é o tipo de "heroína que ninguém, além dela própria, iria gostar muito". Entretanto, ela é irresistível, dona de uma personalidade singular e capaz de despertar no leitor o amor e ódio ao mesmo tempo. Emma é profunda, talvez por isso seja a única personagem dos seis livros publicados de Austen cujo próprio nome é também o título da obra. O livro é um ótimo exemplo de sagacidade e ironia, típicas da escrita de Jane Austen, e é considerado por muitos seus romance mais elaborado. A habilidade que a escritora teve em demonstrar os diversos aspectos da natureza humana, de forma bastante realista e afetuosa, eleva esta obra a uma sátira brilhante.


Meu caso com Jane Austen começou de uma forma tão sutil que eu nem mesmo percebi quando ela começou a se entranhar literariamente em mim tão profundamente como hoje o é. Começou quando, como bom rato de internet que sou, comecei mais um dos meus momentos eufóricos em que pesquiso sobre algo e vou clicando em todo tipo de link que possa aparecer na minha frente referente ao assunto de meu interesse. O assunto da vez? Um mais repetido do que qualquer outro, porém nem por isso menos interessante e inspirador: Feminismo. Como feminista que sou, pesquisar sobre grandes personalidades femininas e feministas do mundo e de sua história é algo pelo qual tenho grande paixão. Foi nessas andanças que descobri pessoas nas quais me inspiro profundamente hoje em dia: Coco Chanel, Amelia Earhart, Rainha Vitória – e, felizmente, num golpe de sorte num artigo sobre grandes personalidades femininas da literatura, vi o nome que de cara me encantou: Jane Austen.

“Considerada a primeira romancista do período moderno da literatura inglesa”: foi algo assim que li, eu acho. E o poder que essa frase causou sobre mim foi astronômico por alguns pequenos motivos:

a) “Romancista”: tenho enorme paixão por romances e prosa – a escritora que me chutou pro mundo da Literatura é a maior escritora de romances fantásticos do século (J. K. Rowling);
b) “Período Moderno”: é um período essencialmente rico em inovações literárias. Citá-las aqui não é necessário, mas é, sem dúvidas, o período mais revelador e revolucionário da escrita mundial;
c) “Inglesa”. Dispensa comentários.

Não precisava ter qualquer outra definição. Se houvessem apenas dito que “Jane Austen é uma grande escritora inglesa”, por mim, tudo bem. Pois sou tão deslumbrado, apaixonado e inspirado – além de um profundo estudioso sobre a história, valores e vida deste povo – por tudo que é britânico que basta apenas esta menção para me fazer ficar com cara de idiota para quem quer que cite este nome ou para onde quer que eu o leia/veja.

Consumou-se minha paixão por Jane Austen após descobrir o quão poderosa, forte e inspiradora – além de a frente de seu tempo e estonteantemente inteligente – é esta mulher. Através de artigos, monografias e outros textos acadêmicos e não-acadêmicos, estudei sobre seu estilo, sobre suas obras, sobre sua vida e seu pensamento, e me debrucei sobre sua história com paixão e dedicação. Após conhecê-la imensamente por estes pontos, faltava-me apenas entende-la da forma que deveria ser: lendo suas obras. O mínimo que qualquer fã – coisa que eu já me dizia desta escritora – deveria fazer.

Foi quando estava passeando – justo com a Jeniffer Yara (estudamos juntos, na mesma sala) – pela livraria lá da faculdade e dei de cara com livros que eram tão... Lindos, que eu não tive reação quando os vi. Apenas peguei, meio ofegante, um exemplar e o namorei.

Tinha uma capa linda. Com flores douradas reluzentes charmosamente desenhadas sobre um fundo verde-claro, o título “Emma” numa letra floreada e lindíssima debaixo do nome da escritora – que nem prestei atenção, já que estava abrindo o livro e ficando mais do que bobo com a sua parte de dentro: impecável na linda diagramação. Uma letra maravilhosa e legível, do tamanho certo; as páginas de verso antes dos inícios dos capítulos com belas flores desenhadas, como na capa; e os capítulos começando com uma letra caligráfica nas primeiras frases. Uma caligrafia que eu reconheci de cara, já que estava dentre os muitos documentos que li sobre certa escritora...

Foi quando imediatamente virei pra capa e arregalei os olhos.

Chamei a Jeniffer Yara. E nós dois entramos em crise eufórica por causa daquele livro.

Livro que descobrimos haver mais parecidos, já que a Martin Claret publicou uma nova edição especial dos livros de Jane Austen. Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, Mansfield Park, Emma, A Abadia de Northanger e Persuasão: todos numa edição esteticamente divina que enlouquece qualquer colecionador e apaixonado por esta britânica de Steventon.

São seis livros. Havia várias opções para escolher o primeiro livro de Jane Austen que eu leria. Depois de um longo tempo de indecisão, no dia posterior (com a Jeniffer Yara desesperada para que eu me decidisse logo e voltássemos para a sala de aula), levei na sacola o livro que, de cara, foi o que me enfeitiçou. O livro que conta a história de uma... Complexa (pois esta é a palavra que encontro para resumir a grandiosidade desta estupenda protagonista), porém comum, entretanto nem tão comum assim (o que reforça o caráter complexo da srta. Woodhouse), mulher que, nascida numa sociedade aristocrata rural do início do século XIX, vive todas as desventuras e aventuras que eram permitidas a uma mulher situada num período social como o do fim do século XVIII. Uma grande mulher, através da qual conseguimos enxergar a vivência social de homens e mulheres na antiga Inglaterra e as consequências que as vivências destes seres podem acarretar a seus mundos e relações. Uma grande obra que leva o nome de sua grande heroína – e não por menos: Emma.

Não há como começar sem dar foco à personagem a qual toda a obra gira em torno: Emma Woodhouse. Realmente, como a sinopse promete, não conseguimos amá-la, e muito menos totalmente odiá-la. Emma é uma complexíssima protagonista – sem dúvidas a mais complexa que já vi/li (e por isso mais perto da perfeição descritiva) –, cheia de inteligência, astúcia, imaginação, intenções, orgulho, poder social e grandiosidades: características que a tornam apaixonante; mas, ao mesmo tempo, entretanto, tão mesquinha, irredutível, egoísta, um tanto inescrupulosa e até mesmo hipócrita que mal conseguimos deixar de revirar os olhos e se irritar internamente com sua performance durante alguns momentos da leitura. E é exatamente isso que a faz uma brilhante criação: Emma é como um ser humano é – imperfeito. Com seus calos, porém com sua maciez; com seus espinhos, entretanto com toda a beleza e perfume da singularidade que apenas ela consegue ter e trazer aos olhos e imaginação do leitor.

A escrita de Emma é brilhante: a capacidade de Austen de dar tamanha profundidade a um enredo situado em lugares e situações aparentemente corriqueiras de uma realidade por muitos taxada como “sem graça” é deslumbrante. Apenas alguém com profunda sensibilidade e humanidade pode fazer isso com tamanha maestria, e sem precisar de um quê exageradamente erudito, monótono e prolixo que muitos livros clássicos trazem: sua linguagem é simples, porém requintada; é dita de forma clara, mas requer atenção ao contexto e aos traços ínfimos trazidos de diversos pontos do enredo para que tudo faça sentido.

Tem diálogos compridos, eloquentes e com aquela forma de expressão formal e culta que amadores da verbalização britânica aristocrata irão se apaixonar; seus personagens são profundos, complexos e com grande caráter criativo, todos debruçados numa narrativa calma, que corre num ritmo tranquilíssimo, com os quais você ganha tamanha intimidade que se vê muitas vezes adivinhando suas ações e comportamentos através do conhecimento explicitado por Austen de seus arquétipos. A obviedade íntima nunca caiu tão bem nos personagens de outra obra quanto em Emma, livro o qual, ao mesmo tempo que é transparente com os personagens, é obscuro e misterioso no enredo. Dificilmente consegui imaginar os fatos decorrentes pela capacidade bárbara de dramatização que este livro possui. Jane Austen faz de uma sociedade rural simples um poço de inovações, suspense e emocionantes surpresas, o qual nos conquista e nos deixa ainda mais apaixonados do que imaginaríamos ficar com um simples livro de capa bonita e diagramação legal.

Um grande livro, com uma grande heróina, rodeada por grandes personagens que, situados num grande enredo, são criações de uma gigantesca escritora: Emma, de Jane Austen – uma brilhante obra que realmente merece ter sido eternizada como um grande clássico da literatura inglesa. Tornou-se uma das minhas obras favoritas (sem dúvidas o meu livro de literatura clássica predileto) e teve grande papel em marcar Jane Austen como uma das minhas escritoras favoritas.


Você, sinceramente, leitor, deveria ler este livro. Afinal: o que há demais em se perder em um pouco de boa literatura britânica antiga? Ainda mais se escrita pela pena da brilhante e eterna Jane Austen?


P.S.: Apenas um pequeno detalhe que esqueci de mencionar quanto à edição por causa da euforia em descrever sobre o enredo e a obra de Jane: a revisão. É, infelizmente, uma das revisões mais dispersas que já vi. É esquisita a forma com que o começo é lindamente organizado nesse sentido, com todas as vírgulas e tudo no lugar, mas, a partir do meio do livro, como a coisa desanda e coisas absurdas são vistas, até. Como a quebra de parágrafo antes de terminar o conteúdo do parágrafo, palavras escritas erradas e esse tipo de coisa. Foi realmente uma decepção nesse sentido - mas apenas nesse. É como eu sempre digo: não deixe de ler tão linda obra em tão magnífica edição especial por causa deste mero detalhe. Se você leva revisão como um detalhe, lógico (como eu me esforço pra fazer).

17 comentários:

  1. Eu adoro o livro. Adoro como a Emma é imperfeita e humana. Na verdade acho que todas as protagonistas da Jane o são.

    Excelente resenha.

    Carissa
    www.carissavieira.com

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    1. Eu planejo conhecer muito, muito em breve MESMO as próximas heroínas de Jane. Minha primeira leitura dela foi "Emma", mas Orgulho e Preconceito está logo ali, quietinho, esperando por mim para devorá-lo.
      Beijos, Carissa! Obrigado pelo carinho!

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  2. Nossa, se eu não tivesse tantos livros pra ler, ia procurar, parece sem muito bom! Tem post novo no blog, passa lá ;)

    woolovely.blogspot.com.br

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    1. Mas você pode comprar e deixar na fila, uai... xD AIUSHIUAHS
      Beijos, Gabbe! Pode deixar que daremos uma passada por lá.

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  3. Hey
    Adorei seu relato sobre a Jane, muito bonito de se ler.
    Confesso que só li algumas páginas de 'OeP' para a faculdade e até gostei, tenho que ler os outros.

    Emma sou curiosa em assistir o filme com a Gwyneth, até o vi em algum site hoje haha

    Parabéns pela resenha.

    bjs
    Nana - Obsession Valley

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    1. Own, obrigado, Nana! E eu também sou doido pra ver o filme com a Gwyneth. Vi os stills e posters: perfeitos. Não chegam ao ponto da perfeição de Becoming Jane, mas...
      Beijos!

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  4. Não conhecia o livro, é a primeira vez que ouço falar nele o/
    mais fiquei bem interessada o/
    a capa não chama muito atenção o/
    mas o livro parece bom, seguindo o blog!
    acervo-de-livros.blogspot.com

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    1. Nossa, sério que você acha que a capa não chama muito atenção?! aiushaiuhs O livro é ótimo, pode confiar. Beijos! Obrigado!

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  5. Eu achei lindas essas edições novas quando lançaram, mas como já tenho todos os livros e alguns repetidos algumas vezes, não iria comprar Martin Claret de novo.

    Fico contente que tenha gostado tanto da obra, porque ela é minha autora preferida e a gente sente como se tivesse sendo elogiado quando gosta muito de algo e alguém elogia.
    Porém, Emma é a obra que eu menos gosto. E é a mais fraca, na minha opinião. Tanto pela história desenrolada quanto por sua protagonista.
    Eu não sou entendida, sou só fã e apaixonada por Austen. Mas para mim é assim. Gosto até um pouco mais da Cher de As patricinhas de Beverly Hills na adaptação do que da personagem de Emma no livro ou nas adaptações fiéis da obra.

    Quero saber a opinião quando chegar no meu adorado orgulho e preconceito.

    liliescreve.blogspot.com

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    1. É sempre legal conhecer opiniões divergentes das nossas. Eu, pessoalmente, achei a obra brilhante, mas acho que com certeza saíram obras melhores da pena de Jane Austen - e Orgulho e Preconceito é uma obra canônica do Romance Britânico Moderno. Pode deixar que, quando eu lê-lo (ele já está em mãos, e desta magnífica versão), a opinião será postada aqui no Meu Outro Lado. ^^
      Beijos! Obrigado pelo carinho e sinceridade, Lili.

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  6. Oi, tudo bom?
    Passando para deixar um comentário rsrs
    A Jane é demais , todo mundo fala bem dos livros
    dela .
    Quero muito ler este , me parece ser bom !
    Beijos*-*
    Território das garotas
    http://territoriodascompradorasdelivro.blogspot.com.br/

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    1. Tudo ótimo! auishiuah E, sim, eu também sempre ouvi todo mundo falando bem dela, então resolvi abrir minha vida literária com Austen com Emma. ^^
      Beijos!

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  7. Essas edições SÃO LINDAS DEMAIS COMO AGUENTAR, GENTE! Vou na Livraria Cultura e a vejo e SIMPLESMENTE PRECISO DE TODOS OS LIVROS COM ESSAS CAPAS. Da Jane já li Orgulho e Preconceito, Persuasão e Razão e Sensibilidade. Gostaria de ler todos os outros dela ainda esse ano, e num futuro não tão distante, espero, ter essas edições lindas.

    @mmundodetinta
    maravilhosomundodetinta.blogspot.com

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    1. Eu espero muito em breve ter toda essa coleção da nova edição! *---* O próximo que vou amar será Persuasão. <3
      Obrigado por ter passado por aqui. ^^

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  8. estou em falta com a Austen :(
    ainda não li um livro sequer da autora. tenho que me redimir e pegar um ou dois (ou todos?). mas já vi algumas adaptações.
    {Emilie Escreve}

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    1. Que coisa feia... Tsc tsc tsc. Sim, sua redenção literária só será dada quando ler alguma coisa dela - e muito em breve, moça. xD
      Beijos! Comece com Emma - é um grande livro!

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  9. Que lindo o texto que você escreveu! Gosto muito da Jane Austen, apesar de ter lido apenas Orgulho e Preconceito! Te aconselho a ver o filme que conta a história dela, muito lindo! Tô morrendo de orgulho e saudade de você, beijos da sua amiga Sol!

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Opine,reclame,exclame,comente.Mas uma dica: palavras sinceras são sempre bem-vindas.

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