29 junho 2013

Sobre o que não (se pode) fazer



Sabe o que me incomoda mais nessa rotina corrida de estudante?! A falta de tempo. Mas não simplesmente a falta de tempo, é a falta de tempo e disposição para dedicar-me ao que me dá não só prazer, mas a satisfação de fazê-los. Falta de tempo para ler meus livros, falta de tempo para ler blogs, para escrever, para ouvir novas bandas (totalmente desconhecidas e que não agradam a maioria), falta de tempo para sair com os amigos, para apreciar a sétima arte, para inventar arte, para fazer arte.
Por que o ócio criativo é válido. E o que fazer com toda essa agonia dilacerante de ver todos esses livros empilhados aqui ao meu lado não podendo ser lidos em um futuro breve?! E o que fazer com todas as ideias que surgem em saídas de ônibus e durante a leitura vaga de matérias, quando não se pode deixar de lado o que é importante?! O que fazer com toda essa vontade de inventar, de criar e de reinventar, que aparece quase sempre?! O que fazer com essa agonia artística que me consome?!
E não riam, por que a arte está em mim, e não fujo dela, nem quero.
E todo o lazer que me faz completamente satisfeita com meu eu não está mais presente. É um grande sacrifício necessário, que até pode ser deixado de lado por um tempo quando reconheço uma brecha de uns minutos que são destinados aos Hobbies apaixonantes, mas que em sua totalidade são sacrifícios 'consumistas' de todo meu tempo. 
E a compensação?! Por que todo mundo pensa na compensação depois de dias árduos e difíceis exercendo algo. Não sejam hipócritas. Estudamos para obter conhecimento por simples realização pessoal? Obviamente que na maioria dos casos, não. E ei, eu realmente espero que a compensação seja satisfatória;  mas eu sei, eu sei, só eu posso definir isso. 
Então, que continue a agonia dilacerante, mas que haja mais brechas, nem que seja brechinhas, pra esse ócio artístico/criativo/literário aparecer um pouco, nem que seja um pouquinho mesmo, pra me fazer feliz ♥

25 junho 2013

Resenha - Um Gato de Rua Chamado Bob


Nome: Um Gato de Rua Chamado Bob;
Nome original: A Street Cat Named Bob;
Autor(a): James Bowen;
Editora: Novo Conceito;
Onde comprarConfira preços;
SinopseQuando James Bowen encontrou um gato ferido, enrolado no corredor de seu alojamento, ele não tinha ideia do quanto sua vida estava prestes a mudar. Bowen vivia nas ruas de Londres, lutando contra a dependência química de heroína, e a última coisa de que ele precisava era de um animal de estimação. No entanto, ele ajudou aquele inteligente gato de rua, a quem batizou de Bob (porque tinha acabado de assistir a Twin Peaks).
Depois de cuidar do gatinho e trazer-lhe a saúde de volta, James Bowen mandou-o embora imaginando que nunca mais o veria. Mas Bob tinha outras ideias. Logo os dois tornaram-se inseparáveis, e suas aventuras divertidas — e, algumas vezes, perigosas — iriam transformar suas vidas e curar, lentamente, as cicatrizes que cada um dos dois trazia de seus passados conturbados.
Um Gato de Rua Chamado Bob é uma história comovente e edificante que toca o coração de quem a lê.

Uma coisa que posso começar dizendo com toda a certeza sobre Um Gato de Rua Chamado Bob: quem gosta de animais – principalmente dos queridíssimos bichanos gatinhos – está suscetível às lágrimas logo nas vinte primeiras páginas.

Ou será que só eu sou um manteiga derretida com gatinhos?

Não sei se a Jeniffer Yara sabia disso quando anunciou que iria me dar o livro para ler e resenha-lo. Acho que ela percebeu essa minha paixão por gatinhos (e, sim, necessariamente com o diminutivo “inhos” para deixar ainda mais claro o quão sou louco por eles) assim que me contou, numa segunda ou terça-feira, que havia solicitado de cortesia o livro de James Bowen da Novo Conceito. Provavelmente ela deve ter percebido meus olhos brilhando, apaixonados, enquanto se passava em minha mente um gatinho cor de laranja lindo que havia visto uma vez numa reportagem do Jornal Nacional. Aliás, não provavelmente – com certeza ela percebeu, já que, alguns minutos depois, se virou para mim e perguntou casualmente:

- Você quer o livro pra ler e resenhar, Breno? Eu não vou ter tempo de lê-lo mesmo...

Preciso dizer que quase a matei sufocada num abraço de urso depois disso?

Uma semana depois, eu vim descobrir a história de Bob. Ou melhor – a história de James Bowen: um homem que, desgostoso com a vida, achou um laranjinha escondido, mal cuidado e abandonado, num canto escuro do andar térreo do prédio onde morava. Ao aproximar-se deste gatinho e perceber a personalidade e coragem que havia em seus olhos – coisas que seriam a catapulta e lenha para as diversas vitórias que ambos conseguiriam num fiel futuro que construiriam juntos –, James mal poderia imaginar que, muito logo, aquele pequeno felino acabaria seguindo (literalmente) seus passos – e fazendo mais que isso: dando-lhe forças para ultrapassar as barreiras, iniciar as batalhas e fazê-lo reviver o fôlego pela vida o qual há muito havia perdido. Se é que, um dia, este londrino já o houvesse vivido.

 O que eu vou dizer é bem clichê de resenhas, mas não há como não usar aqui: eu não conseguiria descrever nunca o quanto que Um Gato de Rua Chamado Bob me apaixonou. Gosto muito, muito de livros sinceros e verdadeiros, e este é um deles. É um livro que fala sobre o modo com que um gato e um humano ganham gradativamente lealdade e constroem a amizade que os levaria a conquistas muito mais importantes do que qualquer um de nós poderia imaginar – para ser claro, um (só um dos inúmeros) exemplo: a recuperação química do vício de James Bowen em drogas.

Apesar de ser forte em vários ângulos, como nas ferrenhas críticas que sutilmente lhe compõem – críticas contra os maus tratos contra animais; contra os preconceitos contra usuários de drogas; contra os preconceitos contra artistas e trabalhadores de rua (“invisível”, é como Bowen se diz ser quando, só, tenta ganhar sua vida nas calçadas) –, é um livro muito tranquilo. Que relaxa com o passar das páginas. É apaixonante a forma calma e sensata com que a narração nos embala para os diversos e lineares pontos da história de Bowen – história a qual, muito mais de uma vez, me fez lagrimar e chorar. As memórias deste homem, repletas de maus bocados e dores de uma criança maltratada e humilhada que foi, são contadas com honestidade e humildade, coisas as quais me fizeram admirar esse homem profundamente. Pessoalmente, cheguei às lágrimas copiosamente depois de uma das primeiras vezes que James cita sua infância, adolescência e início de maturidade: a forma com que esse homem aborda todos os caminhos tortuosos e estágios que o levaram a um vício destrutivo e dilacerante é devastadora – mas emocionante, já que houve a superação. E, eu não sei meu caro leitor, mas eu não consigo não me emocionar e impedir meus olhos de brilhar quando leio ou vejo algo sobre um simples ser humano que superou mais do que suas costas poderiam aguentar.

E principalmente: superou com a ajuda do que muita gente despreza, maltrata e repugna. Um simples gatinho.

Aliás, Bob, como já foi dito, é o grande divisor de águas na trajetória de Bowen. Bob é um ser muito inteligente, e imaginá-lo fazendo todas as fofices e estando nas situações que só um amante de gatos como James Bowen pode explicar é maravilhoso – e um ótimo remédio contra o cansaço e mau humor, se me permitem indicar (80% do livro eu li nas duas horas que passo indo e vindo da faculdade, no ônibus, então, acreditem, eu sei do que estou falando). Cativante, a forma com que é retratada a humanização de um homem na visão das pessoas por vê-lo com um animal nos desperta muitos questionamentos. É também curiosa a forma com que James tenta, através de trejeitos, ações e reações de Bob, desvendar de onde ele viera, seu percurso, sua história – além de que a intensidade da existência de Bob na vida de Bowen chega a impressionar e, principalmente, a nos emocionar. E muitas e muitas outras coisas que eu poderia falar sobre Bob, James e suas aventuras e desventuras, mas que fariam essa resenha ter mais de duas páginas de Word – e, consequência óbvia e inevitável, minha carta de demissão enviada cordialmente pela Jeniffer Yara numa tarde monótona e depressiva de domingo*.

Gosto de definir uma palavra para cada livro, uma palavra que resuma o que mais aquela obra me causou, e acho que tenho a palavra para Um Gato de Rua Chamado Bob: cativante. O relato de o quanto que uma verdadeira amizade pode resgatar a esperança e a essência até do mais descrente dos homens e mais perdido dos animais é digna de aplausos. Um Gato de Rua Chamado Bob só é contraindicado para aqueles que não gostam de animais, de se emocionar e de ler uma linda história de resgate de vidas – mas, para o resto (onde, com muito orgulho, me incluo!), é um dever lê-lo. Lê-lo, partilhá-lo e guarda-lo num lugar importante da estante e do coração.

E chega de deixar esse negócio cada vez maior, ou vou mesmo ser demitido.



* Isso é só brincadeira, gente. Por favor. x_x

21 junho 2013

O rock original do Vespas Mandarinas

"Os mortos, enfeitam as ruas
Junto ao perfume, de lixo e gás
Do oratório à Santo Amaro
Das rodovias às marginais" ♫


Enfim algum post musical aqui no blog! Faz muito tempo que não tenho assunto para essa tag, mas por acaso, vendo MTV, vejo o novo clipe do Vespas Mandarinas, banda em que o VJ Chuck Hipolitho é integrante, e que já tinha me despertado interesse, mas que ainda não tinha tido a oportunidade de ouvir.


E não é que gostei e muito?! Vespas é rock nacional, gênero que não está muito presente no meu repertório musical, mas é de um rock nacional original, com letras ácidas, carregadas de significado e que dá aquela adrenalina em ouvir algumas letras 'brutas' e 'pesadas', que nada mais expressam uma parte da realidade que nós conhecemos. Mas não só isso, também contém poesia e excentricidade nas composições, mesclando a cantoria entre os vocalista Chuck e Thadeu Meneghini.

Como eles mesmos se definem:
Animal Nacional é seu álbum de estreia pela gravadora Deck. E Cobra de Vidro foi o clipe que me fez ir atrás de mais músicas da banda. A letra traz a crítica boa à realidade conhecida, mas que é deixada de lado, e com certeza é só uma das músicas que o Vespas canta que segue esse caminho.


Como sempre digo em meus post's sobre música, filmes, séries, etc. Não sou especialista no ramo, e esse não seria um post de uma especialista em música, muito menos nacional; é só o meu gosto musical falando mais alto, querendo ser compartilhado, para que, talvez alguém que visite o blog, goste e também compartilhe, divulgando boa música, bons filmes ou boas séries por aí.

Vale à pena ouvir Vespas. É música nacional de qualidade (O que muitos acham ser raro de encontrar), aliás, é rock nacional de qualidade! 

Indico ouvir primeiro Cobra de Vidro, Não sei o que fazer comigo e Poesia ><



Fotos: Divulgação
Sites: Vespas Mandarinas (Oficial)
Facebook -  As Vespas Mandarinas
Twitter - @vmandarinas

16 junho 2013

Resenha - Eu sei que vou te amar.

Nome: Eu sei que vou te amar;
Autor: Arnaldo Jabor;
Editora: Objetiva;
Sinopse: Um casal se encontra depois da separação.
O que dizer e, principalmente, sobre o que calar?
Tensa, cruel, apaixonada_a discussão da relação flutua entre mentiras gentis e verdades duras de ouvir, confissões confissões e delírios. O abismo entre o que se diz e o que se sente pode ser superado?
Escrito a partir do filme homônimo, sucesso inesquecível de publico e crítica, Eu Sei que Vou Te Amar é um diálogo de amor, com todas as artimanhas, os medos e a paixão com que hoje identificamos as DRs- as discussões da relação entre os casais, sempre diferentes, sempre as mesmas.

Quem nunca né gente? Quem nunca teve uma DR... ai ai...
Depois de ter sido visto há mais de vinte anos atrás por quatro milhões de pessoas, Eu sei que vou te amar do jornalista e escritor Arnaldo Jabor fez o caminho oposto do convencional, normalmente os livros geram os filmes, mas nesse caso o livro surgiu a partir do longa-metragem. O filme eu ainda não vi, mas sei que é com a Fernanda Torres bem novinha  e, dizem, ser muito bom e que vale a pena ser conferido, se somente se, você tiver mais de dezoito anos, se ainda não tiver não assista, ainda. O livro, que não é o roteiro do filme, e sim um breve romance, é o que podemos chamar de uma grande DR, uma discussão de relação, assim como o próprio autor gosta de denominar.

O livro é um diálogo, um conflito psicológico na relação do "Ele" e do "Ela", depois do termino do casamento de seis anos os personagens resolvem marcar um encontro e o que parece ser um encontro meigo e fraterno toma proporções gigantescas de lavação de roupa suja, digamos em um termo popular, a verdade é que o amor e o desejo se fazem presente e várias facetas das relações contemporâneas são mostradas.

O nome por si só é lindo e eu tomei um susto quando comecei a ler, pensei que era meiguinho e fofinho, mas é o oposto, é forte e denso, sabe, você os vê nesse diálogo cheio de sentimentos, mas é igualmente lindo. O que chama a atenção além da história muito bem escrita são as fotografias em preto e branco de dois corpos  se unindo, e você entende depois o porque, chega um momento que eles conseguem saber o que o outro pensa, como telepatia. Se você está afim de ler um livro carregado de sentimento de drama e com uma pegada forte de relação humana, Eu sei que vou te amar é a melhor opção. 

Beijão e um grande abraço pra vocês. 

Até! ; ) 

06 junho 2013

2ª Turnê Intrínseca - Belém

 (Foto: Divulgação)
A Turnê Intrínseca foi criada com o intuito de aproximar a editora, os fã-clubes e os leitores, e para isso vamos usar o que temos de mais precioso: conteúdo em primeira mão. Capas, vídeos, novidades, curiosidades, bastidores e notícias que só sua editora favorita pode lhe mostrar. Nossa presença em todas as praças, aliada ao trabalho e à dedicação dos fã-clubes regionais, fará de cada parada dessa turnê um dia incrível.
É o segundo 'encontro' da editora Intrínseca com fãs de várias cidades do Brasil, e confesso que no primeiro encontro que teve aqui em Belém não fui por preguiça e por não ter companhia, o que me arrependo profundamente, pois nesse segundo evento pude perceber o quanto perdi do primeiro.
O evento ocorreu no piso superior da livraria Saraiva de um dos shoppings de Belém, não muito confortável, já que o espaço estava pequeno para a quantidade de pessoas que estiveram por lá, cerca de 125 pessoas. Mas fora isso, esse encontro marcou a editora, para mim e meus colaboradores (Breno e Renato) como uma editora compromissada em aproximar o leitor às obras publicadas por ela.

Da esquerda pra direita: Renato, Breno, *moça do markenting(esqueci o nome)*, eu e a Carol *segunda moça do marketing que lembrei o nome* rs

As meninas do marketing da editora (foto acima) foram super simpáticas, atenciosas e pacientes; a cada livro do Rick Riordan citado eram gritos ressoando pelo local (Parece que a maioria dos jovens que estavam por lá são fãs só dele,rs), mas enfim, falaram do marketing da editora e claro, dos livros já lançados, os que estão para lançar em breve e os próximos lançamentos do ano, o que gostei MUITO, pois tem vários que estou ansiosa para ler ♥ Não irei detalhar cada um para o post não ficar muito extenso.

Novos lançamentos de Rick Riordan:

 

A casa de Hades, O filho de Sobek e O mar de monstros em Graphic Novel. Os fãs de Rick não podem reclamar de novos livros dele ><

 

A continuação de Feita de fumaça e osso *_______________________* Pirei com essa capa linda ♥

 

Paper Towns do John Green ♥ Pra quem pretende colecionar os livros do autor (como eu), aguardem ansiosamente o lançamento desse.

 

The Bling Ring, o livro que irá ter adaptação no cinema por nada mais, nada menos, Sofia Coppola e com Emma Watson de protagonista. Claro que já me interessei. 
 

Novo livro do David Nicholls (Autor de Um dia), pelo qual me apaixonei depois de ler não só Um dia, mas também Resposta Certa ♥ Amei saber desse lançamento:

 

Além desses há mais outros lançamentos (Que eu não tirei foto) como o novo livro do Markus Suzak (Autor de A menina que roubava livros), Getting the Girl (A garota que eu quero), O oceano no fim do caminho de Neil Gaiman (Muito bem elogiado na apresentação do livro) e a continuação da série O jovem Sherlock Holmes, Tempestade de Fogo de Andrew Lane (Aceito presentes ♥)

São muitos lançamentos bons pra pouco money D: Mas voltando ao evento em si, ainda tiveram sorteios de livros lindos (Inclusive minha amiga Jess ganhou um álbum que dava direito à pessoa ganhar mais de 4 livros da editora + dois livros de sua escolha, invejei) e claro, o brinde que todos ganharam que foi uma ecobag pequena com marcadores, um 'passaporte' da Turnê, um broche e alguns bottons lindos *O*


Falando não só por mim, mas pelos meninos que também foram ao evento, gostamos muito dessa interação da editora com os leitores, da atenção em ir à várias cidades para falar dos livros, dos autores e do trabalho que a Intrínseca faz. Acredito que se toda editora fizesse algo assim, haveria mais leitores em nosso país, interessados não só na literatura que é mais divulgada, mas também pelos livros que não são, descobrindo-se em novas obras e autores. O blog não tem mais parceria com a Intrínseca, mas foi um prazer enorme quando na época da parceria e claro que tentaremos (eu, Breno e Renato) uma nova parceria, pra trazer mais conteúdo de qualidade ao blog, com livros que possamos nos identificar ou não, mas que tragam novas experiências de leitura para todos nós. 
Que venham mais Turnês da Intrínseca nos próximos anos e que possamos sempre acompanhar esse trabalho significativo que a editora está fazendo.

03 junho 2013

Resenha - Livre

Nome: Livre;
Nome original: Wild;
Autor(a): Cheryl Strayed;
Editora: Objetiva;
Onde comprar: Compare preços;
Sinopse: Aos 22 anos, Cheryl Strayed achou que não tivesse mais nada. Após a inesperada morte da mãe, a família se distanciou, e seu casamento desmoronou. Quatro anos depois, sem nada a perder, tomou a decisão mais impulsiva da vida; caminhar sozinha cera de 1.770 quilômetros pela costa oeste dos Estados Unidos, do deserto de Mojave, no sul da Califórnia, atravessando Oregon até o Estado de Washington. Não tinha experiência em caminhadas de longa distância, e a trilha era pouco mais que uma linha num mapa. Mas guardava uma promessa - a promessa de juntar os pedaços de uma vida em ruínas.
O relato de Strayed captura a agonia, tanto física quanto mental, de sua incrível jornada; como a enlouqueceu e a assustou e como, principalmente, a fortaleceu. Livre é uma história de sobrevivência e redenção; um retrato pungente do que a vida tem de pior e, acima de tudo, de melhor.


São exatamente dez para as duas da manhã do dia primeiro de junho. Acabo de enviar uma mensagem emocionada para a Jeniffer Yara contando que acabei de terminar de ler o livro o qual com tanto sentimento me envolvi, me apaixonei e me entreguei nas últimas duas semanas: Livre, de Cheryl Strayed. Nós dois sabemos o que isso significa: resenha pro blog! Mas, acima de tudo, com nossa paixão por livros falando mais alto do que qualquer “dever” de postagem, sabemos que, para mim, significou muito mais do que isso.

As palavras dela, na mensagem que chegou logo após eu ter terminado de escrever o primeiro parágrafo, dizia: “AWN, que lindo, Breno! Que bom que o livro não te decepcionou. Awn, é um livro que já te marcou”.

Ela acertou: o livro não me decepcionou. E, sim, já fez cicatriz.

A emocionante história de uma americana feminista e corajosa que perdeu tudo: sua mãe, seu marido, sua vida. E seu orgulho. Após perder inesperadamente a mãe para o câncer, Strayed se vê no meio do maior período de caos de sua vida: frustrada por incontroláveis adultérios próprios, por não conseguir manter sua família unida após a morte da mãe, por terminar o casamento e até mesmo por se envolver com coisas não tão ortodoxas (como drogas), a americana impõe-se um desafio após ver um livro numa estante de livros à venda sobre uma trilha, a Pacific Crest Trail (carinhosamente apelidada de PCT, no livro): fazer esta caminhada de mais de 1.700 quilômetros com um simples, porém desafiador objetivo – reencontrar-se. Redescobrir-se e, também, por inúmeros motivos, perdoar-se.

Apesar de ter sentido receio logo nos primeiros capítulos de acabar não gostando do livro – já que eu estava sedento por introspecção e, nas primeiras páginas, a louca daquela mulher não parava de falar dos pés inchados e das bolhas nos dedões –, ele acabou se tornando viciante. Instigante, deliciosamente bem articulado, é dono de um inteligente jogo de palavras e frases que, algumas vezes, simplesmente não nos permitem fôlego para parar e voltar à realidade; apesar de algumas vezes ser bastante informativo quanto ao percurso da protagonista, tem um sóbrio e leve quê sentimentalmente profundo ao tratar dos problemas e sofrimentos da personagem – ambos os pontos quase imperceptivelmente alternando: do importante, vai ao trivial; da introspecção, vai à leveza narrativa – nunca sendo, desta forma, um livro cansativo e entediante (para quem curte o gênero – memórias –, é claro).

Inteligentemente cômico, Livre é um livro corajoso, de uma mulher que tanto não tem medo de dizer o que precisa ser dito sobre si mesma quanto de admitir coisas sobre quem foi na hora em que há a necessidade de dizê-las (como adúltera descrente e usuária temporária de heroína). Algumas vezes é cruel pela forma com que trata alguns momentos que, para muitos de nós, seriam mais difíceis de retratar com tanta maturidade; em outras, é sensível e tocante. Insensato e sensato. Incrivelmente dicotômico, no entanto, ainda assim coeso – e, por isto, interessantíssimo. Avassalador. Uma verdadeira jornada que nos faz pensar o quanto a vida e nossas escolhas ansiosas podem nos atirar em poços tão profundos quanto os de nossos traumas, medos e fraquezas.

Um livro maravilhoso, que alcançou as expectativas e fez cair todas as lágrimas, abrir todos os sorrisos e valer cada centavo gasto. Livre – uma jornada persistente de uma poderosa mulher em busca de um novo horizonte. Em busca de redenção. De um recomeço.
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