08 dezembro 2017

Gratidão

   

       "A gente não chega a lugar algum sozinho". Essa é a frase que me acompanha nesses últimos dias de 2017 e que provavelmente deve estar me acompanhando desde já muito tempo, mas só agora puder ver a força que ela possui em minha vida. 
      Sempre fui de planos, de programar minhas atividades, de tentar esquematizar minhas ações, o futuro incerto sempre me amedronta, não gosto das surpresas do destino pois nem sempre elas são boas e bem sei que isso é de extrema imaturidade, mas são questões de personalidade as quais ainda não consegui me afastar. Porém, em alguns momentos de nossas vidas, bem específicos, bem marcantes, algumas surpresas são realmente gratificantes. Enquanto me afundava em leituras difíceis e novas no meu quarto, meus pensamentos vagavam para um possível futuro próspero, mas aparentemente distante. Em um piscar de olhos, esse futuro já era o presente, e novos desafios surgiam ao longo dos dias. Em um estalar de dedos já me vi em outras posições, atuando de outras formas e realizando diversas ações que até pouco tempo atrás eram apenas pensamentos de uma mente ansiosa por mudanças e ao mesmo tempo amedrontada por elas. Mas esse piscar de olhos, esse momento repentino, essa transição aparentemente veloz não ocorreu sem a ajuda de inúmeras pessoas, em momentos diferentes, distantes e próximos do presente, os quais fizeram tudo isso acontecer.
         E o tudo isso significa muito, tanto, que nem letras em caixa alta, nem textos (essa tentativa frustrada de uma boa escrita), podem elucidar o quanto tudo isso significa.
     
São palavras de alguém extremamente grata por todas as pessoas que me ajudaram em meu percurso acadêmico, profissional e pessoal, até o presente momento. Um paradoxal longo e curto percurso de dificuldades, limitações, mas muito trabalho, muito esforço, muito estresse e muitas tentativas de demonstrar minha gratidão por meio de gestos e simples conversas por aí.

05 outubro 2017

De volta ao futuro incerto


Há um ano eu estava escrevendo sobre o que não me define, sobre o término da faculdade que estava tão próximo e sobre minha dedicação exaurida por lá, me reconhecendo como alguém que mudou ao longo do percurso universitário. Em alguns meses depois estava eu novamente como aquele futuro incerto vivido antes de passar no vestibular. Graduação acabou. Mestrado é uma possibilidade, assim como uma vaga no mercado de trabalho era. As responsabilidades redobraram e a vida adulta te faz ser chamada de "tia" por pessoas com pouca diferença de idade. A minha roupa "de estudante" não nega minha jovialidade, mas não determina minha capacidade profissional. Agora o que não me define não são mais notas, elogios em sala ou conceitos atribuídos de acordo com diferentes tipos de avaliações, em um novo percurso o que não me define é a produtividade, a capacidade de enfrentar certos desafios diários, alguns boletos pra pagar, prazos a cumprir e  situações para adequar-me. Esse momento de transição é um tanto assustador, principalmente para quem sempre se manteve numa posição de estudante-barra-aprendiz e agora precisa estar na posição professora-barra-profissional-responsável. O medo de ser uma Rory Gilmore já pode não estar mais tão presente, mas o medo do fracasso nos novos ambientes em que me insiro, talvez sim. As mudanças chegam sempre, eu até me impressiono com elas, mas em meio a uma vida "adulta", com muitas metas ainda a cumprir, me pergunto constantemente se tudo isso vale realmente a pena e se o que não me define me fará feliz um dia. São sempre temos difíceis para os sonhadores, mas assim como Amèlie, eu às vezes acho que tenho ossos de vidro.

10 agosto 2017

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Há um universo em mim. Um mundo de cobranças, outro de amor, um planeta de crenças, outro de incertezas, existe um com seus anéis de inseguranças e mais um predominantemente sufocante, de ar densamente carregado de medo e traumas. 
Criaturas vivem em mim. Umas amigáveis, outras serelepes, algumas receosas e desconfiadas, vaidosas e corajosas, a maioria descrente no alheio. Difícil é conviver com todas esses formatos diferentes do eu. Atender expectativas sociais e manter-se fiel à "essência" sempre irá ser um desafio. Ou essas diferentes versões moldam-se ao que é esperado, ou tentam conviver com as várias facetas necessárias para a socialização. Tolher as palavras, o comportamento, as vontades, suprir com os desejos, com os impulsos, com o querer. Como não deixar destruírem-se os mundos íntimos que coabitam em mim? Como prever a felicidade ou a realização plena? Como deixar transparecer-se num mundo de sombras e clarões?

When this wild world
Is a big bad hand
Pushing on my back
Do you understand?
Moon and Moon - Bat For Lashes
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