18 fevereiro 2019

Repositório


Há quem diga que devemos deixar para trás, de vez, algumas coisas que já não cabem mais em nossas vidas, que já não integram nossa rotina. Eu sempre penso nisso quando lembro que existe esse blog, criado há tantos anos atrás e que vive abandonado, sem leitores, sem postagens, sem conteúdo. Felizmente, ele é um dos repositórios que me trazem muitos momentos nostálgicos em frente ao computador, em horas que foram produtivas para mais ninguém, fora eu mesma. 
Sempre escrevi para expressar algo que não cabia apenas nos pensamentos; claro que desejava um público leitor, alguém, nem que fosse apenas uma única pessoa lendo as páginas que dedicava a escrever nas horas em casa. Mas a principal intenção era expurgar um pouco o que eu guardaria somente na memória. Sendo esta bem falha, sempre viria aqui para deixar registrado um pouco do que gostei em assistir, ler, ouvir ou das alegrias e angústias que vivenciava.
De tempos em tempos retorno a esse espaço e me deparo com um certo tipo de orgulho. Foi um dos primeiros projetos que não hesitei em iniciar e, até hoje, 11 anos depois, permaneço com ele. Não é a mesma coisa, evoluiu em alguns aspectos, porém nunca foi excelente, não ganhou prêmios e nem possui os melhores textos, mas é parte da minha história e continua sendo meu repositório de coisas boas a relembrar.
Nesses trajetos que a vida me conduz, aprendi (e devo continuar aprendendo) que nem sempre seremos excelente, aliás, quase nunca seremos de fato, dependendo do ponto de vista que adotarmos (seu ou de um alheio), mas o que fazemos, o que construímos, o percurso que vivemos e a dedicação que empenhamos em algo que nos proporciona pequenas ou grandes satisfações já basta para uma mente cansada das cobranças neuróticas em ser mais do que se é.

09 janeiro 2019

Dos últimos que vi #07: Daqueles que te fazem suspirar

Fim de semestre letivo, mil coisas a fazer ainda, mas a cabeça precisava de um descanso há algum tempo. Muitos livros por ler, mas os olhos pareciam se fechar quase que instantaneamente sempre que via muitas palavras juntas na minha frente. Vida de mestranda não é fácil mesmo e às vezes a cabeça só quer uns estímulos visuais com histórias românticas e engraçadas pra passar o tempo. Foi assim que eu me deparei com algumas produções na/da Netflix (graças ao algorítimo dela também que parece me conhecer TÃO bem hahaha) que me fizeram suspirar com essas doces e descontraídas histórias na tela. Vamos a elas:

A Livraria (Alemanha, Espanha, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte)
Florence Green é apaixonada por livros, apenas ela e um vizinho muito mal encarado na vila onde moram parecem gostar muito das leituras, mesmo assim, a viúva decide abrir uma livraria em um antigo casarão da pequena cidade, porém, empecilhos parecem surgir, pois alguns cidadãos tinham outros planos para esse local.

O filme retrata muito bem os aficionados por leituras. Além de também pontuar sobre livros e seus enredos que seriam escandalosos à época, em 1959. Sendo 'de época', instigou minha curiosidade logo por isso. O enredo pode não ser tão 'amorzinho' quanto esperamos que seja, mas retratando uma das temáticas as quais sou apaixonada, é um prato cheio de inspiração para novas leituras e para novas atitudes, como a de Florence na produção. Depois vi que é adaptação de um livro e amei mais ainda! 

Sementes podres (França)
Waël vive com Monique dando golpes em supermercados e outros locais aos arredores de Paris. Após encontrar com um antigo amigo de Monique, a vida de Waël modifica-se, para melhor ou pior, vamos saber ao longo do filme. Victor ajuda jovens considerados problemáticos em suas escolas, em uma espécia de centro de acolhimento para uma 'detenção' diferenciada. Apenas a primeira reunião é obrigatória para todos irem, mas Waël é desafiado a fazer com que eles voltem nos dias seguintes. Sem nenhuma ocupação ou formação, o jovem golpista pode ser preso caso não consiga tal façanha com esses adolescentes.

Esse aqui também não está relacionado diretamente a amores românticos, mas traz um fio de esperança em boas atitudes, principalmente as relacionadas a educação de jovens considerados problemáticos. A vida de Waël antes do tempo atual da trama é exposta em breves flashbacks, com cenas de guerras e conflitos armados onde ele nasceu. Mesmo muito engraçado, a vida de Waël não foi nada hilária, e ver como ele lida com todo esse passado e como ele irá vivenciar essa nova experiência com os jovens na 'detenção', é algo primoroso de assistir. Essa é uma produção original da Netflix que vale muito a pena.

Batalhas (Noruega)
Amalie vive apenas com o pai, é uma jovem bailarina que parece não estar se saindo muito bem com o grupo onde pratica, a professora lhe cobra mais vivacidade, e, mesmo com inúmeros treinos, seus passos parecem não corresponder à sua mente. No meio de tais dificuldades, surge mais uma: Amalie é da alta classe social da Noruega, mas seu pai é levado à falência e eles precisam enfrentar uma nova vida, agora no subúrbio da cidade. É exatamente lá que Amalie conhece Mikael, em um espaço público para treinamento de dança. Ele e seu grupo praticam freestyle no hip hop, e a junção com o clássico balé vai ser magnífico de assistir na telinha.

Da série de filmes advindas do clássico maravilhoso Ela Dança, Eu Danço (só o primeiro, tá? Com o Channing Tatum, vocês me poupem dos outros), vos apresento esse filme clichêzinho sim, mas fofinho e fora do mainstream americano, porque agora norueguês, sobre produções envolvendo romance e dança. Eu sempre termino de assistir querendo dançar alguma coisa, porque é inspirador todos aqueles movimentos dos personagens. Infelizmente, meu corpo não se dispôs ainda a isso.

Como Superar um Fora (Peru)
Maria Fe tem seu relacionamento rompido via Skype, depois de uns bons anos de relacionamento. Seu agora ex-namorado encontra-se em Barcelona e ela no Peru, mas o choque pelo rompimento tão repentino não deixa de ser menos doloroso. Aos 30 anos, a jovem publicitária encontra-se perdida após essa ruptura, pois desconhece o que é viver 'sozinha'. Junto com suas amigas irá iniciar uma jornada de autoconhecimento, experimentando novas vivências e (talvez) superando esse fora.

Um clichê romântico, mas bem emponderado e com o Christopher do RBD??? (Sim, eles vão ser sempre do RBD pra mim) Mas é claro que depois de assistir eu sairia espalhando pra todo mundo a recomendação. A produção peruana traz tudo o que um amante de comédia romântica precisa naqueles dias mais difíceis da vida, em que precisamos de um tempinho rindo e suspirando por histórias de amor fofinhas. A mensagem final é belíssima e foge daquelas comédias mais antigas.

Todas as Razões Para Esquecer (Brasil)
Antonio, após seu rompimento com Sofia, achava que seria fácil superar sua ex. Ledo engano. A trajetória desse personagem é carregada de contradições e novas vivências desse mais novo solteiro, que só por meio de muitas atrapalhadas e conversas desconcertantes talvez consiga entender a dificuldade em superar um antigo relacionamento.

*E foi aqui que talvez eu tenha me apaixonado pelo  Johnny Massaro* Mais uma comédia romântica, mas agora com um homem protagonizando todas as dores e contradições sentimentais de um rompimento amoroso. É interessante ver como eles inseriram um protagonista masculino para um papel que, geralmente, é retratado em mulheres. Todas as Razões também nos oferece elementos que amamos de comédia romântica, mesmo que com algumas cenas mais tristes ou confusas. Johnny é uma baita ator e conhecer seu trabalho aqui foi uma grata surpresa.

Amor Ocasional (França)
Elsa encontra-se triste e solitária após um rompimento amoroso com um colega de trabalho. Seus amigos tentam reanimá-la de várias formas, mas nada que uma nova paixão não possa atrair mais sua atenção. É assim que as amigas de Elsa contratam um acompanhante para a amiga. As consequências podem desastrosas ou não.

Diferentemente das outras produções aqui listadas, esta é uma série, original da Netflix, ambientada e produzida em Paris. De comédia romântica tem tudo, de alguns clichês também, mas não deixa de cativar e ser uma ótima recomendação pra quem gosta do gênero. Além de todos os personagens serem interessantes, o casal principal cativa desde a primeira vez em que se encontram. Os episódios passam bem rápido e logo logo você estará esperando (ansiosa) pela segunda temporada da série. Super leve e descontraída para uma tarde ou alguns dias de diversão.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata (Estados Unidos, Reino Unido da Grã-Bretanha, Irlanda do Norte)

Julie é uma escritora londrina, prestes a casar-se com Mark Reynolds, um americano diplomata, porém, a jovem sente-se 'vazia' quanto às suas inspirações no trabalho. Após a Segunda Guerra Mundial, recebe uma carta de um fazendeiro, criador de porcos, que conseguiu seu endereço em um livro adquirido por ele, e pede mais livros para o clube literário ao qual faz parte, em uma pequena cidade chamada Guernsey. Poucas palavras não conseguem resumir a trama desse filme tão inspirador quanto ao ato de ler, mesmo cercados por drama e tragédias como a Segunda Guerra e o nazismo.

Romance. Ambientação do século passado. História. Livros. Escrita. Tudo isso em um só filme era quase certeza que eu iria amar. Dito e feito. O filme não possui teor cômico, mas é recheado de cenas de leituras e romance, entre dramas e afeto pelos livros. Não foge dos clichês, mesmo com uma trama histórica, mas também reflete importantes questões sobre o período. Para saber mais, recomendo a crítica no Valkirias.

Tem filmes do tipo para recomendar? Comenta aqui que eu vou amar conhecer novos títulos.

21 dezembro 2018

A pausa dos 365 dias

Colagem por Jeniffer Yara (eu mesma)
A despeito de todas as coisas ruins que aconteceram em 2018 sobre injustiças e barbaridades políticas, não posso deixar de ser grata a tudo o que me ocorreu neste ano e que não tive tempo de vir aqui escrever sobre. Há uma ideia de que, quando vivemos, o tempo para a escrita se esgota, e só após um longo período, em um momento de pausa, devemos retornar para contar tudo aquilo que nos ocorreu. Eu não acreditava nisso. Achava que havia tempo pra tudo, era só se planejar. Estava errada. A vida, os trabalhos, as companhias e os estudos me chamaram cada vez mais este ano e o tempo de pausa foi pouco para os dedos iniciarem alguma conversa com as teclas em tom de desabafo ou impressões sobre o que havia ocorrido. Os novos desafios foram tantos que precisei de um Outro para clarear as ideias e dizer: se dê uma pausa. Você merece. A cobrança em não parar nunca viera, do alheio e do eu. Mas as conquistas valeram à pena, assim como o reconhecimento dos bons frutos de um bom trabalho. O círculo de afetos aumentou, redistribuindo-se em novos rostos, mas agregando antigas companhias. As mudanças frutíferas trouxeram sim embates ruins, mas ao mesmo tempo, no fim, ou no meio de tudo (nada nunca acaba), trouxe paz e ar puro aos incômodos de anos respirando ares poluídos. Algumas coisas preservaram-se, outras, desvaneceram-se quase que por completo, mas está tudo bem, as velhas peles precisam ser renovadas para outras mais brilhosas e saudáveis surgirem. O processo de renovação é contínuo. E no meio do turbilhão de tarefas e projetos a realizar, vou me descobrindo e renovando minha história. Entre as pausas que me obrigo a fazer, deixo as fichas caírem na conta de uma biografia não escrita, nem finalizada.
Copyright © 2014 | Design e Código: Sanyt Design | Tema: Viagem - Blogger| Personalizado por: Jeniffer Yara | Imagens do Header: Pinterest | Ícones de gadgets/categorias: Freepik | Uso pessoal • voltar ao topo